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Elon Musk visita Auschwitz e afirma ter menos anti-semitismo no X

Musk visitou o antigo campo de extermínio nazista em Auschwitz-Birkenau nesta segunda-feira (22) e mais tarde abordou o anti-semitismo em evento online na Polônia. O bilionário, dono do X, antigo Twitter, já foi criticado após a plataforma reproduzir conteúdos considerados antissemitas.


A Associação Judaica Europeia (EJA) disse que Musk depositou uma coroa de flores e participou de um serviço memorial durante uma visita privada ao antigo campo de extermínio ao lado do presidente da EJA, Rabino Menachem Margolin. Fotos mostravam Musk no local com o filho nos ombros.

Elon Musk com o filho nos ombros durante visita ao campo de concentração de Auschwitz – Foto: Associação Europeia Judaica

Musk e o comentarista político de direita dos EUA, Ben Shapiro, falaram mais tarde em uma conferência organizada pela EJA, pedindo um equilíbrio entre a proteção da liberdade de expressão e a correção de falsidades nas redes sociais.

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O magnata da tecnologia pediu desculpas em novembro depois de responder “a verdade” a uma postagem no X, antigo Twitter, que foi criticada por ecoar uma teoria da conspiração entre os supremacistas brancos e levou os anunciantes a pausar os anúncios na plataforma.

Ele também enfrentou acusações de proliferação de discurso de ódio em X, desde sua aquisição do site de mídia social por US$ 44 bilhões em outubro de 2022.

“As auditorias externas que fizemos… mostram que há o mínimo de anti-semitismo no X, se você olhar para todos os outros aplicativos sociais”, disse Musk na segunda-feira ao ser entrevistado no palco por Shapiro.

Ele não disse quem realizou a auditoria nem compartilhou quaisquer detalhes do relatório. Ele não respondeu a nenhuma pergunta de outros jornalistas.

‘Pró-semita’

O simpósio na Polónia ocorreu pouco antes do 79º aniversário da libertação de Auschwitz, em 27 de Janeiro, data que se tornou o Dia em Memória do Holocausto.

Um milhão de judeus europeus morreram no campo construído pela Alemanha nazi na Polónia ocupada entre 1940 e 1945, juntamente com mais de 100 mil não-judeus.

A EJA convidou Musk a visitar Auschwitz durante uma discussão ao vivo transmitida no X em setembro, dizendo que faria “uma declaração muito forte” que poderia contribuir para “a consciência do Holocausto e a luta para combater o anti-semitismo”.

Musk concordou que poderia ser “útil… como exemplo para outros”.

Pelo menos 1,1 milhão de pessoas, a grande maioria judeus, foram assassinadas em Auschwitz Birkenau durante o Holocausto – Foto: Janek Skarzynski/AFP

Durante a discussão, Musk se descreveu como “aspirantemente judeu” e disse que frequentou a pré-escola hebraica.

“É um absurdo ser acusado de algo quando todas as evidências apontam na outra direção e toda a minha história de vida é de fato pró-semita”, acrescentou na época.

Musk ameaçou abrir um processo contra a Liga Antidifamação, um grupo de defesa dos judeus, por suas alegações de que discursos problemáticos e racistas aumentaram no site desde sua aquisição.

A X Corp também está processando a organização sem fins lucrativos Media Matters, alegando que afastou os anunciantes ao retratar o site como repleto de conteúdo antissemita.

‘Postagem mais idiota de todos os tempos’

A postagem endossada por Musk em novembro dizia que as comunidades judaicas defendiam um “ódio dialético contra os brancos”.

O endosso de Musk provocou uma enxurrada de saídas do X de grandes anunciantes e a Casa Branca o acusou de “promoção abominável” do anti-semitismo.

O titã da mídia social mais tarde se desculpou pelo que chamou de “literalmente a pior e mais idiota postagem que já fiz”.

Ele disse que foi mal interpretado e que procurou esclarecer a observação em postagens subsequentes ao tópico.

Após a polêmica, o fundador da SpaceX visitou Israel, mas disse que a viagem havia sido planejada anteriormente e não era um “tour de desculpas”.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, disse ao magnata da tecnologia que ele tem “um papel enorme a desempenhar” no combate ao anti-semitismo.

“Precisamos lutar juntos porque nas plataformas que você lidera, infelizmente, há muito… anti-semitismo”, disse Herzog.

(com informações do FRANCE24, AFP e Reuters)