
O El Niño nasce no Oceano Pacífico Equatorial – Foto: Reprodução
A possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade em 2026 tem elevado o alerta de meteorologistas e autoridades ambientais em todo o mundo. No Brasil, a preocupação é ainda maior na Região Norte, especialmente na Amazônia, onde o fenôeno pode provocar seca severa, ondas de calor intensas, aumento das queimadas e dificuldades no abastecimento de comunidades ribeirinhas.
Segundo projeções da NOAA, agência climática dos Estados Unidos, e análises da Climatempo, o El Niño deve começar oficialmente entre junho e julho deste ano, com tendência de fortalecimento ao longo do segundo semestre. Alguns modelos climáticos já indicam a possibilidade de um evento muito forte, semelhante aos registrados em 1982, 1997 e 2015.
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O El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e modifica padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta.
A Amazônia e o risco para a segurança hídrica
Na Amazônia, os efeitos costumam ser mais severos por causa da redução significativa das chuvas e do aumento prolongado das temperaturas. Especialistas alertam que a combinação entre El Niño e aquecimento global pode agravar ainda mais a crise climática na floresta.

Yrá Tikuna, professora indígena, atravessa ponte improvisada sobre rio seco para chegar à comunidade Inhãa-Bé (AM) – Foto: Paulo Desana/Dabukuri/ISA
No Amazonas, o risco de uma nova estiagem histórica preocupa autoridades ambientais e pesquisadores. Em eventos anteriores de El Niño, rios importantes da região atingiram níveis críticos, prejudicando o transporte fluvial, o abastecimento de alimentos e o acesso de comunidades isoladas a serviços básicos.
Em Manaus, os efeitos podem incluir calor acima da média, piora da qualidade do ar por causa das queimadas e redução da umidade. A capital amazonense já enfrentou episódios de fumaça intensa nos últimos anos durante períodos de seca extrema, cenário que pode voltar a ocorrer caso o fenômeno se intensifique.
Além disso, especialistas alertam para o aumento do risco de incêndios florestais em toda a Amazônia. Com menos chuva e vegetação mais seca, o fogo tende a se espalhar com maior facilidade, ampliando os impactos ambientais e de saúde pública.
O setor energético também pode sentir os reflexos do fenômeno. A redução dos níveis dos rios ameaça a geração hidrelétrica e pode aumentar os custos de produção de energia no país, pressionando a conta de luz.
Na agricultura, produtores rurais acompanham com preocupação a possibilidade de irregularidade nas chuvas e perda de produtividade em diferentes regiões brasileiras. O fenômeno também pode afetar os preços dos alimentos e aumentar a inflação.
Embora a formação do El Niño seja considerada praticamente certa pelos meteorologistas, ainda há dúvidas sobre a intensidade final do evento. A expectativa é que as previsões ganhem maior precisão entre os meses de junho e agosto.
Os impactos mais intensos devem ocorrer entre o fim de 2026 e o início de 2027. Até lá, centros meteorológicos e órgãos ambientais seguem monitorando as condições do Oceano Pacífico e os possíveis efeitos sobre a Amazônia e o restante do país.
O Sul do Brasil entrou na zona de preocupação
No Brasil, o Sul costuma ser uma das regiões mais impactadas pelo El Niño. Quando o fenômeno se intensifica, aumenta a entrada de umidade e cresce a frequência de sistemas de chuva persistentes.
Meteorologistas já alertam para:
- enchentes
- deslizamentos
- enxurradas
- vendavais
- granizo
- tornados isolados
Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem entre os estados mais vulneráveis.
A preocupação ganhou força porque o país ainda vive o impacto das enchentes históricas registradas no Sul em 2024. As imagens de cidades submersas alteraram a percepção pública sobre a dimensão da crise climática no Brasil.
De acordo com previsões divulgadas em maio pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), a temperatura das águas do Pacífico poderá ficar mais de 3°C acima da média entre setembro e outubro deste ano. Segundo os especialistas, o cenário pode representar um dos episódios mais intensos de El Niño já registrados.
