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Dia 13 Comissão abrirá relatório sobre Abusos Sexuais na Igreja Católica Portuguesa

Em 10 dias, Portugal terá relatório final da Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja Católica Portuguesa. Comissão já aponta ocultação de casos.


Na apresentação do balanço dos três meses de trabalho do grupo, criado a pedido da Conferência Episcopal Portuguesa –mas de atuação autônoma–, o coordenador Pedro Strecht afirmou que a investigação dos episódios faz, inclusive, referências a bispos que seguem em atividade.

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Foto: reprodução

Em outubro, a equipe liderada por Pedro Strecht tinha validado 424 testemunhos, mas a maioria dos casos já tinha prescrito.

De acordo com o presidente da Comissão, “as situações reportadas cruzam já bastante informação idêntica, fato que reforça a consistência dos depoimentos e traça quadros graves existentes ao longo de décadas, ficam ainda mais evidentes quanto mais se recua no tempo, sendo que, em alguns locais nota-se que os casos tomaram proporções verdadeiramente endémicas”.

Os primeiros números apresentados pela comissão não surpreendem quem trabalha nesta área. Carla Ferreira, assessora técnica da direção da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), considera o resultado da investigação significativo: “temos de ter consciência de que é mesmo apenas uma gota neste grupo enorme de situações”, uma vez que geralmente “apenas cerca de um terço dos casos são denunciados formalmente”.

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A percepção é corroborada pelo psicólogo e investigador Ricardo Barroso, para quem “é o esperado, pegando também a experiência de outros países e naquilo que nós vamos conhecendo da realidade, que estes números vão avançando ao longos dos próximos meses”.

A Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja Católica Portuguesa recebeu o prémio da APAV 2022.

A distinção é festejada por Carla Ferreira, que defende que “este tipo de movimentos de desocultação como sendo sempre positivos, não apenas para quem foi vitima das situações de violência, mas também para todos nós enquanto sociedade, porque nos torna uma sociedade mais atenta e, por consequência, uma sociedade mais intolerante a qualquer situação de violência”.

As repercussões da investigação, tanto entre as vítimas, como para a Igreja e os agressores, são também destacadas por Ricardo Barroso.

“As vítimas têm que ter a noção de que aquilo que lhes aconteceu não pode voltar a acontecer e a Igreja Católica tem que demonstrar clara e cabalmente que isto não vai voltar a acontecer e que vai pôr em prática um conjunto de gestos, um conjunto de ações concretas, seja de denúncia, seja inclusive até do próprio apoio do ponto de vista psicoterapêutico que possa fazer até que os membros da Igreja Católica, sejam responsabilizados como agressores, e pelo apoio que possa dar a potenciais vítimas no futuro”.

A Igreja Católica diz estar preparada para “tomar medidas adequadas”. Dia 3 de março haverá uma Assembleia Plenária do episcopado católico português, para analisar mais profundamente o relatório final da Comissão.

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