Internacional

Segurança

Cresce o temor em Nova York: moradores culpam políticas de imigração por alta na criminalidade

Com abrigos superlotados e avanço de gangues, nova-iorquinos apontam falhas nas políticas de fronteira e no sistema de acolhimento a migrantes.


Migrantes fazem fila em frente ao Hotel Roosevelt, um importante abrigo – Foto: Getty 

A cidade de Nova York, um dos maiores centros urbanos dos Estados Unidos, vive uma crescente onda de insegurança ligada à crise migratória e à controversa política de “cidade santuário”, que impede a cooperação direta entre autoridades locais e a imigração federal.

Moradores relatam que o cotidiano mudou drasticamente: aumento da criminalidade, presença de gangues nas ruas e medo de circular à noite viraram realidade em diversos bairros. Em um vídeo investigativo divulgado pelo grupo The American Border Story (TABS), nova-iorquinos expressam frustração com as consequências diretas da chegada desordenada de migrantes e o impacto em suas comunidades.

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“Meus funcionários estão com medo de voltar para casa à noite. Os clientes estão se afastando. As gangues tomaram conta das ruas”, declarou Dino, dono de uma pizzaria no Brooklyn, à Fox News Digital. Segundo ele, o bairro onde vive e trabalha há anos nunca esteve tão perigoso.

Um relatório investigativo divulgado pelo grupo The American Border Story revelou uma crescente insatisfação entre os moradores de Nova York diante dos impactos das políticas de “cidade santuário” — que limitam a cooperação com autoridades federais de imigração — e da abertura desenfreada de abrigos para migrantes.

Manifestantes se reúnem para protestar contra a abertura de uma cidade de tendas para migrantes no Centro Psiquiátrico Creedmoor, em Queens City, Nova York, na sexta-feira, 8 de setembro de 2023 – Foto: Julia Bonavita/Fox News Digital

Eleições

A poucos dias da eleição para prefeito, com a vitória do candidato socialista, Zohran Mamdani vem se tornando cada vez mais provável, o clima é de tensão nos bairros mais afetados pela crise migratória.

De acordo com relatos, a presença crescente de migrantes sem controle adequado de entrada — incluindo indivíduos ligados a facções criminosas — tem intensificado o tráfico de drogas, o assédio sexual, os roubos e até homicídios em algumas regiões.

“Meus funcionários têm medo de voltar para casa. Os clientes evitam a pizzaria. Gangues estão controlando as ruas”, afirmou Dino, dono de um restaurante no Brooklyn, à Fox News Digital. Ele, que também é imigrante, critica o descompasso entre o discurso político e a realidade vivida nas ruas: “Essas políticas podem funcionar no papel, mas na prática estão colocando vidas em risco.”

O candidato democrata à prefeitura de Nova York, Zohran Mamdani, fala com voluntários em um lançamento de campanha no Brooklyn em 28 de setembro de 2025 – Foto: Michael Nigro/Pacific Press/LightRocket via Getty Images

Causas da crise: fronteiras abertas e falta de fiscalização

Entre as principais causas apontadas no relatório estão:

  • Política de fronteiras abertas adotada durante o governo Biden, que facilitou a entrada de migrantes sem o devido controle ou histórico criminal verificado.

  • Cidades santuário, como Nova York, que se recusam a cooperar com autoridades federais na deportação de imigrantes ilegais, mesmo em casos criminais.

  • Superlotação e má gestão dos abrigos públicos, que têm atraído migrantes para áreas residenciais já fragilizadas, gerando tensões com a população local.

  • Presença de gangues transnacionais, como o grupo venezuelano Tren de Aragua, que tem se aproveitado da situação para recrutar novos membros e expandir suas operações.

A organizadora comunitária Renee Collymore, democrata moderada, criticou duramente o conselho municipal progressista, afirmando que o grupo “ignora os impactos reais sobre os bairros” e rotula qualquer crítica como xenofobia.

Ela relatou que após a instalação de um abrigo em sua comunidade, houve aumento de violência, tráfico sexual e patrulhas de gangues com canos de ferro. “Houve esfaqueamentos e até um triplo homicídio. E ninguém faz nada”, disse.

Centenas de migrantes são vistos dormindo do lado de fora do Hotel Roosevelt, em Midtown Manhattan, no início do auge da crise migratória sob o governo do ex-presidente Joe Biden, em 2023 – Foto: Luiz C. Ribeiro/NY Daily News via Getty Images

Campanha polarizada e promessas controversas

Apesar da onda de insegurança, Mamdani continua liderando as pesquisas, com promessas de ampliar os direitos dos migrantes e restringir a atuação do ICE (agência federal de imigração), afirmando que “Nova York deve proteger seus vizinhos, não deportá-los”.

Para críticos, como a jornalista Nicole Kiprilov, diretora do TABS, a cidade vive o resultado direto de políticas migratórias falhas: “Famílias estão com medo, bairros estão mudando da noite para o dia, e as autoridades estão ausentes. Essa crise saiu da fronteira e bateu à porta das grandes cidades.”

A eleição municipal será realizada em 4 de novembro e promete ser um referendo sobre o futuro da política migratória nos Estados Unidos — e sobre quem deve ser responsabilizado pelos impactos que já chegaram ao cotidiano dos nova-iorquinos.