Justiça

Amazonas

Caso Benício: Polícia pede indiciamento de equipe e diretores de hospital em Manaus após erro médico

Investigação aponta falhas graves no atendimento, possível fraude e tentativa de adulteração de provas no caso de Benício Xavier, de 6 anos.


Benício chegando ao hospital Santa Julia com seus pais –  Foto: Reprodução

 

A Polícia Civil concluiu o inquérito que apura a morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, ocorrida após erro na administração de medicamento em um hospital particular de Manaus, e pediu o indiciamento de quatro pessoas, entre elas uma médica, uma técnica de enfermagem e dois diretores da unidade de saúde.

Continua depois da Publicidade

Segundo as investigações, o caso foi marcado por uma sequência de falhas no atendimento médico e na gestão hospitalar, que teriam contribuído diretamente para a morte da criança. Laudos periciais também indicam suspeitas de tentativa de adulteração de provas, o que agravou a situação dos envolvidos.

A médica Juliana Brasil e a técnica em enfermagem Rayza Bentes estão entre os principais alvos do indiciamento, além de dois diretores do Hospital e Pronto-Socorro Santa Júlia, responsáveis pela administração da unidade.

Cronologia do caso

O relatório da 24ª Delegacia Interativa de Polícia detalha os momentos que antecederam a morte de Benício:

  • 14h37: início do atendimento pela médica responsável
  • 14h44: envio de mensagem admitindo erro na prescrição
  • 15h13 às 15h38: busca por orientação com outros médicos
  • 15h46: durante momento crítico do paciente, a médica troca mensagens pessoais sobre venda de produtos
  • 15h47: retomada do contato com equipe médica
  • 16h15: solicitação de transferência para UTI

Erro de medicação

A investigação aponta que a criança recebeu uma dose inadequada de adrenalina por via intravenosa, considerada incompatível com o quadro clínico. A aplicação incorreta provocou rápida piora no estado de saúde, levando a sucessivas paradas cardíacas.

Entenda o caso

Benício deu entrada na unidade de saúde com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. Durante o atendimento, foram prescritas medicações incluindo três doses de adrenalina intravenosa.

Após a administração do medicamento, o estado clínico se agravou rapidamente. O menino chegou a ser encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva, mas não resistiu.

Desdobramentos

Com a conclusão do inquérito, o caso segue agora para análise do Ministério Público, que deve decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça. A família da vítima cobra responsabilização dos envolvidos.