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Colapso econômico e êxodo em massa: a Venezuela afundou sob o regime de Nicolás Maduro

Inflação explosiva, queda histórica do PIB e quase 8 milhões de refugiados expõem a dimensão da crise venezuelana.


Caminho da dor e esperança – Foto: Reprodução

A Venezuela viveu, nos últimos anos, uma das mais graves crises econômicas e humanitárias do mundo contemporâneo. Capturado recentemente em uma operação militar dos Estados Unidos, Nicolás Maduro deixa como legado um país devastado por inflação extrema, colapso produtivo, repressão política e um êxodo sem precedentes na América Latina.

A deterioração econômica já havia começado no governo de Hugo Chávez (1999–2013), mas foi sob Maduro que o cenário se agravou de forma dramática. Políticas econômicas fracassadas, sanções internacionais motivadas por violações de direitos humanos e o desmonte da indústria petrolífera — principal fonte de receita do país — provocaram um tombo histórico da economia.

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Dados do Fundo Monetário Internacional mostram que, em 2012, antes de Maduro assumir o poder, o Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano era de US$ 372,6 bilhões. Oito anos depois, o valor despencou para US$ 42,8 bilhões. Em 2025, mesmo com leve recuperação, o PIB chegou a US$ 82,8 bilhões — ainda muito distante do patamar anterior ao chavismo.

A inflação escancara o colapso. Em 2012, os preços subiram 20,1%. Já em 2018, o país enfrentou uma hiperinflação de 130.060%, segundo o FMI. Embora tenha desacelerado, a taxa seguiu em nível alarmante em 2025, alcançando 548,6%.

O empobrecimento da população acompanhou esse processo. Dados da plataforma Statista indicam que a pobreza nos domicílios venezuelanos saltou de 29% em 2012 para 82,4% em 2023.

Paralelamente, a indústria petrolífera entrou em colapso. Em 2012, a Venezuela produzia 2,67 milhões de barris de petróleo por dia. Em 2020, a produção atingiu o pior nível histórico, com apenas 544 mil barris diários. Em 2024, houve alguma recuperação, mas o volume permaneceu baixo, em torno de 893 mil barris por dia — insuficiente para sustentar a economia nacional.

A combinação entre repressão política, violência generalizada, escassez de alimentos e medicamentos e a ruína econômica levou milhões de venezuelanos a deixar o país. Segundo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mais de 7,9 milhões de pessoas abandonaram a Venezuela desde 2014 — o equivalente a 23% da população.

Desse total, cerca de 6,9 milhões vivem hoje em outros países da América Latina e do Caribe. A Acnur estima que aproximadamente 2 mil venezuelanos deixem o país todos os dias, fugindo da inflação, da violência, da criminalidade e da falta de serviços básicos.

Ainda é incerto como será o futuro da Venezuela após a queda de Maduro. Mas, para milhões de venezuelanos dentro e fora do país, o fim de seu regime representa ao menos o encerramento de um dos períodos mais sombrios da história recente da nação.