O governo brasileiro indicou que irá se abster em uma resolução que será submetida a voto nesta quinta-feira (7) na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e que irá determinar se a Rússia deve ser expulsa do Conselho de Direitos Humanos.
Fontes no Itamaraty explicaram que o governo examinou a questão na quarta-feira (6) e, em princípio, a decisão foi a de não dar um voto favorável ao projeto. Depois de, inicialmente, votar ao lado de americanos e europeus em três resoluções que condenavam os ataques russos contra a Ucrânia, o Brasil passou a adotar uma nova postura nos organismos internacionais.
Continua depois da Publicidade
Mais próximo da posição de China, Índia e África do Sul, o Itamaraty não chancelou os projetos das potências ocidentais para isolar a Rússia em órgãos como OIT (Organização Internacional do Trabalho), Unesco e outros. Os Brics também insistem que a ideia do governo de Joe Biden de afastar a Rússia do G20 não seria apoiada pelo bloco das grandes economias emergentes.
Nesta semana, o governo brasileiro tampouco adotou o mesmo tom que Estados Unidos e Europa que, no Conselho de Segurança da ONU, acusaram a Rússia de crimes de guerra. Para o Brasil, as investigações sobre eventuais massacres na Ucrânia devem ocorrer sem que haja um “prejulgamento”.
Já o esforço das potências ocidentais para expulsar a Rússia do Conselho de Direitos Humanos é, de fato, um processo raro dentro da ONU. Até hoje, apenas a Líbia de Muanmar Kaddafi foi alvo de uma suspensão similar.
Para que o mesmo destino seja dado para a Rússia, as potências ocidentais precisam reunir dois terços dos 193 países da ONU. A esperança de americanos e europeus se baseia em votação realizada há um mês, quando 141 países aprovaram resolução condenando a invasão russa. Mas diplomatas alertam que uma expulsão não é a mesma coisa e que envolveria considerações estratégicas.
No caso brasileiro, o Itamaraty votou ao lado dos 141 países que optaram por condenar a Rússia. Mas, desta vez, a expulsão é considerada uma atitude perigosa, inclusive sob o ponto de vista de um eventual enfraquecimento do sistema multilateral.
Fonte: UOL
