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Saúde Mental

Quando o apoio vira julgamento: mães relatam impacto de grupos tóxicos na maternidade

Competição, exclusão e críticas silenciosas fazem mulheres abandonarem grupos de mães e levantam alerta sobre saúde mental.


O que deveria ser um espaço de acolhimento e troca de experiências tem se transformado, para muitas mulheres, em um ambiente de pressão, julgamento e sofrimento emocional. Relatos de mães que decidiram deixar grupos presenciais e virtuais mostram como dinâmicas tóxicas podem afetar a saúde mental durante uma das fases mais sensíveis da vida: a maternidade.

Martina, mãe de primeira viagem que vive no País de Gales, conta que entrou em um curso para aprender linguagem de sinais com bebês na expectativa de criar vínculos com outras mães da região. A experiência, no entanto, durou pouco. Ela afirma que passou a ser julgada por optar pela mamadeira e por ter tido um parto por cesariana, o que a fez se sentir excluída e desvalorizada.

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Segundo especialistas, esse tipo de comportamento é mais comum do que parece. A psicóloga clínica Noëlle Santorelli explica que a maternidade provoca uma mudança profunda de identidade e pode despertar inseguranças, comparações e medo de exclusão. Esses sentimentos, quando não elaborados, acabam se manifestando em forma de críticas, fofocas e exclusões sutis dentro dos grupos.

“Saí do meu grupo tóxico de mães porque não aguentava mais ser julgada” – Foto: Reprodução

Casos semelhantes também foram relatados por figuras públicas. A cantora e atriz americana Ashley Tisdale revelou recentemente ter deixado um grupo de mães após perceber que algumas mulheres eram sistematicamente excluídas de eventos, incluindo ela própria.

Nos Estados Unidos, Rachel, mãe de dois filhos, buscou um grupo de mães após perceber que sua vida social diminuiu com a maternidade. No início, o espaço oferecia apoio e convivência. Com o tempo, no entanto, pequenos conflitos se acumularam, culminando em exclusões e constrangimentos. Rachel acabou sendo afastada do grupo após tentar questionar sua ausência em encontros.

Especialistas divergem sobre como lidar com esse tipo de situação. Enquanto alguns defendem o diálogo direto, outros alertam que o confronto pode intensificar conflitos, especialmente quando há desequilíbrio de poder ou envolvimento das crianças. Em muitos casos, o afastamento gradual ou a saída definitiva do grupo pode ser a alternativa mais saudável.

Há também quem opte por não participar mais desse tipo de ambiente. Kelly, mãe de três filhos, afirma que sofreu bullying em um grupo de mães em Londres e decidiu não integrar novos grupos, inclusive em aplicativos de mensagens. Para ela, relações pontuais e espontâneas acabaram se mostrando mais acolhedoras do que grupos estruturados.

Os relatos também revelam um aspecto importante: a reprodução dessas dinâmicas por quem está dentro do grupo. Algumas mães reconhecem que já participaram de julgamentos e exclusões, influenciadas pelo desejo de pertencimento.

A experiência mostra que, embora o apoio entre mães seja fundamental, nem todo grupo cumpre esse papel. Quando o convívio passa a gerar ansiedade, culpa e sofrimento, especialistas reforçam que priorizar a saúde mental não é egoísmo, mas uma forma de cuidado consigo mesma e com os filhos.

Os nomes das entrevistadas foram alterados para preservar suas identidades.