O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (18) que a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pode criar uma “confusão tremenda” na apuração dos ataques ocorridos em Brasília no último dia 8. Lula deu a declaração em uma entrevista exclusiva à Natuza Nery, na GloboNews.

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“Nós temos instrumentos para fiscalizar o que aconteceu nesse país. Uma comissão de inquérito pode não ajudar e ela pode criar uma confusão tremenda, sabe? Nós não precisamos disso agora”, afirmou.
De acordo com o presidente, a abertura de uma CPI começou a ser articulada por parlamentares no dia seguinte à invasão ao Palácio do Planalto, ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os criminosos destruíram vidraças, móveis e obras de arte nos prédios que são sedes dos Três Poderes.

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Questionamentos surgem após a entrevista: “Por que a exclusividade para a rede Globo” – “por que o presidente tem medo da instalação de CPI no caso dos ataque de 8 de janeiro”?
Mas o caso não será decidido no formato “acho que não deve ter” e ja tramita no Senado, o requerimento de criação de uma CPI para dar mais transparência ao caso. O requerimento foi apresentado pela senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS), e já ultrapassou o mínimo necessário de apoios – 27 senadores.
Soraya defende a instalação da CPI para apurar a organização, o financiamento e autoria dos ataques em Brasília. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), chegou a classificar a instalação da CPI como “muito pertinente” e “adequada”.
Já o presidente Lula avalia que, embora a decisão seja do Congresso Nacional, não há justificativa para a abertura da CPI. Para Lula, a estrutura de apuração da comissão não se diferencia do que já existe à disposição do governo federal.
“É uma decisão do Congresso Nacional, não é minha. Portanto, os partidos políticos, na Câmara e no Senado é que vão decidir”, declarou.
“Se, por acaso, eles me pedissem um conselho – que é difícil pedir conselho – eu dizia: não façam CPI, porque não vai ajudar”, acrescentou.
“O que nós podemos investigar numa CPI que a gente não possa investigar aqui e agora? Nós estamos investigando, tem mil e trezentas pessoas presas. […] O que você pensa que a gente vai ganhar com uma CPI?”, indagou.
Por que Globo e GloboNews têm a preferência de Lula e Janja para entrevistas

Na cobertura do 2º turno, o âncora do ‘JN’ até soltou elogios ao presidente eleito. Antes, o próprio Lula já havia falado bem da postura do jornalista ao longo da campanha eleitoral.
Em novembro, a socióloga Janja da Silva escolheu o ‘Fantástico’ para dar sua primeira entrevista longa na televisão. Foram 30 minutos de visibilidade positiva.
No início de janeiro, a esposa de Lula abriu as portas do Palácio da Alvorada para Natuza Nery, a mais influente comentarista de política da GloboNews, que tem feito aparições também na Globo.

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Nesta quarta-feira (18), a mesma jornalista foi recebida no Palácio do Planalto para gravar a primeira entrevista exclusiva de Lula a uma emissora desde a posse, exibida no ‘Edição das 18h’. O combinado eram 50 minutos, o presidente quis falar mais e a gravação durou 1h15.
Um desavisado pode concluir que o telejornalismo brasileiro se resume à Globo e GloboNews. Como explicar esse protagonismo e a suposta preferência do casal presidencial?
Três fatores se destacam. O primeiro são os contatos. Alguns jornalistas e produtores de reportagem dos dois canais conquistaram a confiança do ‘núcleo duro’ em torno de Lula.
Os assessores que blindam o presidente do assédio da imprensa só liberam o acesso a ele quando têm certeza de que a entrevista não terá ‘pegadinhas’ e vai gerar boa repercussão.
Natuza Nery já era bem-vista nos corredores dos Poderes em Brasília muito antes de entrar para a GloboNews, em 2017. Suas fontes e contatos nas altas cúpulas são antigos.
A segunda questão é, inegavelmente, a audiência. A Globo lidera entre os canais abertos e a GloboNews é primeiro lugar no segmento de notícias da TV paga.
O horário nobre das duas emissoras é a melhor vitrine a um político que precisa se defender, atacar os adversários e transmitir uma mensagem ao maior número possível de pessoas ao mesmo tempo.
Há ainda a intenção de Lula de se aproximar dos herdeiros de Roberto Marinho. Em almoço com jornalistas de esquerda, em janeiro de 2022, em um hotel de São Paulo, ele reclamou da relação fria imposta pelos donos do maior império de comunicação do Brasil.
“Você falava com o Dr. Roberto Marinho, mas não fala com os filhos dele”, reclamou, segundo relato do jornalista José Cássio, do ‘Diário do Centro do Mundo’.
A reaproximação tem sido feita discretamente, longe das câmeras, por dirigentes do PT e ministros de Lula que mantêm conversas amistosas com Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo.
Após a guerra de quatro anos contra Jair Bolsonaro, a família Marinho agora se beneficia do armistício estabelecido com o governo Lula 3. Até quando? Quem viver, verá.
