Internacional

Líderes da Finlândia defendem adesão à OTAN


O governo da Finlândia anunciou no domingo que se candidatará a se juntar à OTAN, abandonando décadas de neutralidade em tempos de guerra e ignorando as ameaças russas de possíveis retaliações à medida que o país nórdico tenta reforçar sua segurança após o início da guerra na Ucrânia.

A decisão foi anunciada em uma coletiva de imprensa conjunta no domingo com o presidente Sauli Niinistö e a primeira-ministra Sanna Marin, que disseram que a medida deve ser ratificada pelo parlamento do país antes que a Finlândia possa formalmente solicitar a adesão à OTAN.

Continua depois da Publicidade

“Esperamos que o parlamento confirme a decisão de solicitar a adesão à OTAN”, disse Marin durante uma coletiva de imprensa em Helsinque no domingo. “Durante os próximos dias. Será baseado em um mandato forte, com o Presidente da República. Temos estado em contato próximo com os governos dos Estados membros da OTAN e com a própria OTAN.”

“Somos parceiros próximos da OTAN, mas é uma decisão histórica que nos juntaremos à OTAN e esperamos tomar as decisões juntos”, acrescentou.

A medida levaria a aliança militar liderada pelos EUA até a fronteira de 830 milhas da Finlândia com a Rússia, mas poderia levar meses para ser finalizou, já que as legislaturas de todos os 30 membros atuais devem aprovar novos candidatos.

Também corre o risco de provocar a ira da Rússia, cujo presidente Vladimir Putin disse ao seu homólogo finlandês Sauli Niinistö no sábado que abandonar a neuteralidade militar e se juntar ao bloco seria um “erro”, segundo uma declaração do Kremlin. No sábado, a Rússia cortou seu fornecimento de eletricidade para o país nórdico após problemas no recebimento de pagamentos.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, durante a qual a Finlândia foi invadida pela União Soviética, o país tem sido militarmente não alinhado e nominalmente neutro, a fim de evitar provocar a Rússia. Ele satisfez as preocupações de segurança do Kremlin às vezes e tentou manter boas relações comerciais.
A invasão da Ucrânia mudou esse cálculo.

No sábado, Niinistö ligou para informar Putin sobre as intenções da Finlândia de se juntar ao bloco, dizendo que “as exigências russas no final de 2021 com o objetivo de impedir que os países se juntem à OTAN e a invasão maciça da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022 alteraram o ambiente de segurança da Finlândia”, segundo um comunicado do gabinete do presidente finlandês.

O primeiro-ministro Marin reiterou o sentimento no domingo, dizendo aos repórteres que, em relação a uma ameaça nuclear, “não tomaríamos essas decisões que estamos tomando agora, se não pensamos que eles estão reforçando nossa força ou segurança. Então, é claro que acreditamos que essas são as decisões certas e essas decisões melhorarão nossa segurança nacional.”

A Suécia expressou frustrações semelhantes e espera-se também que faça um movimento semelhante para se juntar à OTAN.

Ambos os países já atendem a muitos dos critérios para a adesão à OTAN, que incluem ter um sistema político democrático funcional baseado em uma economia de mercado; tratando as populações minoritárias de forma justa; comprometendo-se a resolver conflitos pacificamente; a capacidade e a disposição de contribuir militarmente para as operações da OTAN; e comprometendo-se com relações e instituições civis-militares democráticas.

A Turquia, membro da OTAN, que se apresentou como mediadora entre a Rússia e a Ucrânia, expressou reservas sobre a integração da Finlândia e da Suécia à aliança. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan disse na sexta-feira que não está olhando para a Finlândia e a Suécia se juntarem à OTAN “positivamente”, acusando ambos os condados de abrigar “organizações terroristas” curdas.

O presidente finlandês Niinistö disse estar “confuso” com o ceticismo de Erdogan, dizendo que durante uma discussão telefônica com Erdogan há um mês, o presidente turco parecia “favorável” à adesão da Finlândia ao bloco.

“Agradeci a ele e ele ficou muito satisfeito em receber meu fax. Então você tem que entender que eu estou um pouco confuso”, disse ele.

“Acho que o que precisamos agora é de uma resposta muito clara. Estou preparado para ter uma nova discussão com o presidente Erdogan sobre os problemas que ele levantou”, acrescentou.

Redação: Portal CINCO