
Raul Castro durante cerimônia em Cuba em 26 de julho de 2022 – Foto: Alexandre Meneghini/REUTERS
Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira, 20, a abertura de um processo criminal contra o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, de 94 anos. A acusação está relacionada ao ataque contra dois aviões civis de um grupo opositor cubano ocorrido em 1996, quando Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa.
A decisão foi divulgada pelo Departamento de Justiça norte-americano e amplia a pressão política do governo de Donald Trump sobre o regime cubano em meio à grave crise econômica e energética enfrentada pela ilha.
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Segundo as autoridades americanas, caças da Força Aérea Cubana derrubaram duas aeronaves do grupo “Brothers to the Rescue”, formado por exilados cubanos radicados nos Estados Unidos. Os aviões realizavam voos sobre a região do estreito da Flórida e, de acordo com Washington, estavam em espaço aéreo internacional no momento do ataque.
As quatro pessoas que estavam nas aeronaves morreram. Três delas eram cidadãos americanos. O caso se tornou um símbolo para a comunidade cubano-americana e motivou décadas de pressão por responsabilização judicial.
O processo apresentado em um tribunal federal de Miami acusa Raúl Castro de homicídio, destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos.
Durante coletiva de imprensa, o procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou que o governo americano “não esquecerá seus cidadãos”, reforçando o tom político da medida.
A ofensiva também ocorre em um momento de forte tensão diplomática entre Washington e Havana. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou o governo cubano de corrupção, repressão e controle econômico da ilha por meio do conglomerado militar Gaesa.
Enquanto isso, Cuba enfrenta uma das maiores crises energéticas dos últimos anos, marcada por apagões frequentes, escassez de combustível e dificuldades econômicas agravadas pelas sanções americanas.
O governo cubano reagiu às declarações dos Estados Unidos e criticou o que considera uma tentativa de interferência política na ilha. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que as dificuldades enfrentadas pelo país são consequência do bloqueio econômico imposto pelos americanos.
Analistas internacionais avaliam que a nova acusação contra Raúl Castro reforça a estratégia de pressão máxima adotada pelos Estados Unidos contra Cuba, combinando sanções econômicas, isolamento diplomático e ações judiciais contra figuras históricas do regime cubano.
