Política

Daniel Vorcaro tinha contatos de ministros do STF e do presidente do BC em agenda telefônica

Dados extraídos do celular incluem governadores, chefes do Congresso e lideranças do centrão.


Arquivos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que ele mantinha em sua agenda telefônica números atribuídos a três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao presidente do Banco Central e a diversas autoridades dos Três Poderes.

Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, foram presos na quarta-feira (4/3), durante a terceira fase da Operação Sem Compliance, sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça. O conteúdo do aparelho celular está entre os elementos considerados pela Justiça para embasar a decisão.

Continua depois da Publicidade

Ministros do STF e Banco Central

Segundo os dados analisados, constam na agenda contatos atribuídos aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. No caso de Moraes, também aparece o contato de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, cujo escritório de advocacia firmou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.

A agenda também inclui o nome do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além de diretores da autarquia. Em 2025, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master após identificação de fraude estimada em R$ 12 bilhões.

Governadores e líderes do Congresso

Entre autoridades do Executivo, aparecem na lista os governadores Ibaneis Rocha (Distrito Federal) e Cláudio Castro.

Também constaria o contato do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, adicionado em 2023, além de Henrique Lewandowski, advogado e filho do ministro. O escritório da família teria prestado serviços ao Banco Master, recebendo cerca de R$ 5 milhões.

No Legislativo, figuram os presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente Hugo Motta e Davi Alcolumbre. Lideranças partidárias como Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil) também aparecem entre os contatos.

Alvos da nova fase da operação

A nova etapa da Operação Sem Compliance resultou na prisão preventiva de Vorcaro, apontado pela Polícia Federal como líder de uma estrutura paralela destinada a intimidar adversários e agentes públicos, além de seu cunhado Fabiano Zettel e outros investigados ligados à suposta rede de monitoramento e obtenção de informações sigilosas.

Também foram determinadas medidas cautelares contra ex-integrantes do Banco Central e empresários suspeitos de atuar em favor dos interesses do banco investigado, incluindo bloqueio e sequestro de bens.

As investigações seguem sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.