Na França, o álcool é a principal causa de atendimentos de urgência, com cerca de 246 mil internações por ano, e está fortemente associado a brigas, acidentes de trânsito, violência doméstica e violência sexual, especialmente contra mulheres.
Apesar da campanha Dry January (Janeiro Seco), o impacto social do álcool permanece elevado. Segundo o Observatório Francês de Drogas e Tendências de Adição, o custo anual do álcool para a sociedade francesa chega a € 102 bilhões, aproximadamente R$ 565,42 bilhões (quinhentos e sessenta e cinco bilhões, quatrocentos e vinte milhões de reais), com base nas taxas de câmbio recentes, incluindo gastos com saúde, segurança, perda de produtividade e mortes prematuras.
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A OMS aponta que o álcool está ligado a 800 mil mortes por ano na Europa, sendo um fator central em casos de trauma e violência. Especialistas destacam que o consumo masculino de álcool prejudica de forma desproporcional mulheres e crianças.

Foto: Reprodução
Além do controle do consumo, pesquisadores defendem educação para combater o machismo e normas de gênero rígidas. Estudos mostram que programas de igualdade de gênero reduzem a violência associada ao álcool.
Cinco associações propuseram medidas como preço mínimo por unidade de álcool e restrições à publicidade, já adotadas em países como Escócia e Irlanda, mas rejeitadas pelo Senado francês.
A historiadora Lucile Peytavin estima que a violência masculina custe € 95,2 bilhões por ano, equivalente a R$ 597 bilhões em real, valor que poderia ser evitado se os padrões de criminalidade dos homens fossem semelhantes aos das mulheres.
Pontos centrais de análise
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Álcool não é apenas um problema de saúde, mas também econômico, social e de segurança pública
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Forte ligação entre consumo de álcool e violência de gênero
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Mulheres são duplamente penalizadas: como vítimas diretas e pelo julgamento social
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Misoginia e normas de masculinidade amplificam os efeitos do álcool
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Políticas públicas existentes são consideradas insuficientes
Comparação com o Brasil
Assim como na França, o álcool também exerce papel determinante na violência e nos atendimentos de urgência no Brasil, especialmente em casos de agressão doméstica, acidentes de trânsito e violência sexual. No contexto brasileiro, estudos do Ministério da Saúde e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que uma parcela significativa dos casos de violência contra mulheres ocorre quando o agressor está sob efeito de álcool.
No entanto, há diferenças estruturais importantes. Enquanto a França possui um sistema de saúde mais robusto para absorver os custos diretos, o impacto no Brasil recai de forma mais desigual sobre o SUS, frequentemente sobrecarregado, e sobre famílias de baixa renda. Além disso, o Brasil enfrenta maior subnotificação, sobretudo em casos de estupro e violência doméstica, o que dificulta a formulação de políticas eficazes.
Em ambos os países, especialistas apontam que medidas focadas apenas na redução do consumo são insuficientes. A experiência francesa com propostas como preço mínimo por unidade de álcool dialoga com o debate brasileiro sobre restrição de publicidade e fiscalização da Lei Seca. Nos dois contextos, cresce o consenso de que combater a violência exige também enfrentar o machismo estrutural e promover educação para igualdade de gênero desde a infância.
O que podemos fazer para ajudar uma mulher que sofre violência?
Converse
O ideal é não falar abertamente sobre a situação, pois pode ser desconfortável, além de ela poder estar emocionalmente muito envolvida e sem perceber, ou mesmo, se culpando pela situação.
Quando não há um risco maior, de acordo com a sua percepção de que nada grave deve acontecer, por hora, a melhor coisa a fazer é conversar a respeito. Fale sobre como funciona um relacionamento abusivo, converse sobre casos que tiveram um desfecho ruim e mostre como um relacionamento saudável pode funcionar.
Assim, provoca uma reflexão e fica mais próxima da pessoa.
Lembrando sempre de ficar em alerta para evitar qualquer situação mais grave que possa acontecer.
Não a julgue
É muito comum nesse tipo de cenário julgarmos a pessoa como fraca, mas não faça isso, pois não se sabe o que passa em sua cabeça ou qual a condição emocional e mental.
Além de não julgar a vítima, jamais coloque algum tipo de culpa nela pelo ocorrido. O sentimento de culpa pode fazê-la sozinha aceitar a atitude, mas com o reforço externo pode ser ainda mais prejudicial.
Atenção as situações graves
A violência contra a mulher pode chegar a situações sem outra ação a não ser intervir. E você pode e deve denunciar em casos de agressão física ou possibilidade de feminicídio iminente.
Nesses casos, a melhor coisa a fazer é chamar a polícia, para evitar que algo de grave aconteça. Mesmo que não haja uma investigação mais profunda, o agressor sentirá medo e perceberá que ela não está sozinha.
Indicar tratamento para o alcoolista
Como o uso e abuso de álcool é um agravante para a violência contra a mulher, trabalhar isso no agressor é uma solução.
Converse com a vítima sobre falar a respeito com o parceiro, quando ele não estiver alcoolizado e indique uma reabilitação para o controle, pois durante o tratamento a equipe o faz ter consciência dos seus atos e incentiva a melhorar.
Com informações da RFI e Despertar
