
“Pretendo voltar à Venezuela o mais rápido possível”, disse Machado, de 58 anos – Foto: Reprodução
A principal liderança da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, afirmou nesta segunda-feira (6) que pretende retornar à Venezuela “o mais rápido possível” e defendeu a realização de eleições livres no país, após a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos sob acusações de narcotráfico.
Em entrevista à emissora Fox News, Machado elogiou o presidente norte-americano Donald Trump pela operação que resultou na captura de Maduro e declarou que a oposição está preparada para vencer um novo pleito. Segundo ela, o grupo já teria conquistado ampla maioria nas eleições de 2024, que classifica como fraudulentas.
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“Acreditamos que essa transição deve seguir adiante. Em eleições livres e justas, conquistaríamos mais de 90% dos votos”, afirmou a líder opositora, que vive fora do país e é alvo de ordem de prisão na Venezuela.
Apesar do discurso de apoio à oposição, o governo Trump tem sinalizado disposição para dialogar com Delcy Rodríguez, vice-presidente do antigo governo e atual presidente interina, o que gerou frustração entre opositores e aumentou a incerteza política no país. Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que a CIA avalia que integrantes do alto escalão chavista poderiam garantir maior estabilidade no curto prazo.
Machado criticou duramente Rodríguez, classificando-a como uma das principais responsáveis por violações de direitos humanos e corrupção, além de manter alianças com Rússia, China e Irã. Para ela, a permanência dessas lideranças compromete a confiança internacional e afasta investidores.
Enquanto isso, autoridades venezuelanas intensificaram a repressão interna. O governo ordenou a prisão de pessoas acusadas de colaborar com a captura de Maduro, e jornalistas chegaram a ser detidos temporariamente em Caracas. Imagens verificadas pela Reuters mostraram disparos para o alto na capital, que autoridades atribuíram a ações policiais para conter drones não autorizados.
Atualmente, cerca de 900 presos políticos seguem detidos no país, segundo organizações locais de direitos humanos. O movimento liderado por Machado exige a libertação imediata desses detentos como primeiro passo para a restauração democrática.
Maduro, de 63 anos, declarou-se inocente das acusações de tráfico de drogas durante audiência em um tribunal de Nova York. Algemado e vestindo uniforme prisional, afirmou continuar sendo o presidente legítimo da Venezuela e voltou a negar qualquer envolvimento com cartéis internacionais.
A intervenção dos EUA, considerada a maior na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, provocou reações internacionais. Rússia, China e aliados regionais da Venezuela condenaram a ação, enquanto especialistas em direito internacional alertaram para possíveis violações legais. A ONU também manifestou preocupação com o precedente aberto pela operação norte-americana.
Mesmo sob forte instabilidade política e econômica, a Venezuela segue sendo estratégica no cenário global por deter as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, embora sua produção esteja em declínio há décadas.
