
O presidente Donald Trump conversa com repórteres na Flórida – Foto: Alex Brandon/AP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (29) que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado “totalmente fechado”. A declaração foi publicada em sua rede Truth Social e intensifica as tensões entre Washington e Caracas.
“Para todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas: considerem o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela como totalmente fechado”, escreveu Trump. O presidente não detalhou como pretende implementar a medida, mas seu governo reforça a presença militar na região sob o argumento de combate ao narcotráfico, por meio da operação Lança do Sul.
Continua depois da Publicidade
Em outubro, os EUA enviaram ao Caribe o porta-aviões USS Gerald Ford e os destróieres USS Winston Churchill, USS Mahan e USS Bainbridge. Washington acusa a Venezuela de facilitar o tráfico de drogas para o mercado americano. Caracas nega e afirma que o objetivo real dos EUA é promover mudança de regime e controlar as reservas de petróleo do país, que enfrenta profunda crise econômica. Nicolás Maduro, no poder desde 2013, foi reeleito em 2024 em uma votação marcada por distúrbios e prisões em massa.
Desde setembro, forças americanas realizaram ataques contra mais de 20 embarcações venezuelanas suspeitas de tráfico no Caribe e no Pacífico oriental, resultando em mais de 80 mortes. Washington, porém, ainda não apresentou provas de que os barcos representavam ameaça ao país.
Conversas recentes entre Trump e Maduro
Uma reportagem do The New York Times, publicada na sexta-feira (28), afirma que Trump e Maduro conversaram por telefone recentemente e discutiram a possibilidade de um encontro nos EUA. Antes do aumento da presença militar no Caribe, a Justiça americana havia oferecido US$ 50 milhões por informações que levassem à captura do presidente venezuelano.
Radar dos EUA em Trinidad e Tobago causa desconforto
A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, confirmou na quinta-feira (27) que os Estados Unidos estão instalando um radar em um novo aeroporto no arquipélago, a apenas dez quilômetros da costa venezuelana. Fuzileiros navais americanos realizaram exercícios militares no país entre 16 e 21 de novembro.
O governo local reconheceu a repercussão da presença militar dos EUA em Tobago e afirmou que está organizando uma reunião para esclarecer os objetivos da cooperação. Trinidad e Tobago também recebeu, no fim de outubro, o navio de guerra USS Gravely. A primeira-ministra negou que os EUA tenham solicitado o uso do território do arquipélago para operações contra a Venezuela.
A presença militar americana na região irritou Caracas, que suspendeu acordos de gás com Trinidad e Tobago.
Com agências internacionais.
