
Memorial improvisado erguido após dois membros da Guarda Nacional terem sido baleados em Washington, DC, EUA, em 28 de novembro de 2025 – Foto: Nathan Howard/REUTERS
O afegão Rahmanullah Lakanwal, acusado de atirar contra dois membros da Guarda Nacional nas proximidades da Casa Branca, deverá responder por homicídio em primeiro grau, segundo informou nesta sexta-feira a procuradora federal Jeanine Pirro. O ataque, ocorrido na quarta-feira, provocou a morte da soldado Sarah Beckstrom, de 20 anos, e deixou Andrew Wolfe, 24, em estado crítico.
A investigação aponta que Lakanwal, de 29 anos, emboscou militares da Guarda Nacional da Virgínia Ocidental utilizando um revólver .357 Magnum, sendo posteriormente ferido em confronto com outras tropas.
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Durante uma ligação no Dia de Ação de Graças com membros das Forças Armadas, o presidente Donald Trump classificou o episódio como um “ataque terrorista” e afirmou que ordenou uma apuração completa sobre o caso. Horas depois, reforçou seu discurso migratório ao anunciar que pretende impor uma “pausa permanente” na entrada de cidadãos de “países do Terceiro Mundo” — expressão usada pelo presidente em publicação na plataforma Truth Social.
Segundo o Departamento de Segurança Interna, Trump determinou uma revisão ampla de casos de asilo aprovados durante o governo Biden, além de green cards concedidos a cidadãos de 19 países afetados por uma proibição de viagens implementada em junho, entre eles o Afeganistão.
Lakanwal entrou nos Estados Unidos em 2021 pelo programa Operation Allies Welcome, que reassentou mais de 70 mil afegãos que atuaram ao lado das forças americanas durante a guerra. Documentos governamentais indicam que ele recebeu asilo já sob a administração Trump.
O governo também avalia a situação migratória da esposa e dos cinco filhos do suspeito, que vivem no estado de Washington. Questionado sobre possíveis deportações, Trump afirmou apenas que “todo o contexto familiar está sendo analisado”.
Pressão internacional e temores sobre impacto humanitário
Organismos da ONU pediram que os EUA mantenham seus compromissos internacionais de proteção a refugiados. Farhan Haq, porta-voz adjunto do secretário-geral, destacou que o país deve honrar a Convenção de Refugiados de 1953. O Escritório de Direitos Humanos da ONU reforçou que solicitantes de asilo têm direito ao devido processo legal.
Especialistas em migração alertam para consequências sociais e sistêmicas caso o governo suspenda ou revise em massa pedidos de afegãos. Para Jasmin Lilian Diab, diretora do Institute for Migration da Lebanese American University, a utilização de um episódio isolado para justificar restrições generalizadas “contraria as evidências, que não mostram ligação entre chegada de refugiados e aumento da criminalidade”.
A repressão migratória intensificada ecoa políticas adotadas por Trump em seu primeiro mandato, algumas das quais enfrentaram duras disputas judiciais. Agora, com o país dividido e a segurança nacional no centro do debate, o governo sinaliza novas mudanças profundas nas regras de imigração, inclusive nas vias consideradas legais, como o asilo.
