
O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa após assinar a Lei de Reforma do Programa de Empréstimos Imobiliários do VA na Casa Branca em Washington, DC, EUA, 30 de julho de 2025 – Foto: Evelyn Hockstein/REUTERS
WASHINGTON, 1º de agosto — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira que ordenou a movimentação de dois submarinos nucleares americanos para “regiões apropriadas”, em resposta a comentários considerados provocativos do ex-presidente russo Dmitry Medvedev sobre um possível confronto nuclear entre Washington e Moscou.
A decisão de Trump ocorreu após Medvedev alertar que a Rússia possui capacidades de ataque nuclear de “último recurso” herdadas da era soviética, após ser advertido por Trump a “ter cuidado com o que diz”. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que as declarações do ex-presidente russo foram “tolamente inflamatórias” e exigiam uma resposta.
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“Palavras são importantes e podem ter consequências indesejadas. Espero que esse não seja o caso”, declarou Trump. Questionado por jornalistas, ele reforçou: “Uma ameaça foi feita por um ex-presidente da Rússia, e vamos proteger nosso povo”.
Apesar da retórica, analistas ressaltam que os Estados Unidos já mantêm submarinos com capacidade nuclear posicionados globalmente, como parte de sua dissuasão estratégica. A Marinha americana e o Pentágono não comentaram o anúncio de Trump, mantendo a tradição de sigilo sobre movimentações nucleares.

O submarino nuclear USS Nevada pode ficar submerso no oceano por semanas — Foto: US NAVY
Daryl Kimball, diretor da Associação de Controle de Armas, criticou a postura de Trump, classificando a ameaça como “irresponsável e desaconselhável”, principalmente ao ser feita pelas redes sociais. Para Hans Kristensen, da Federação de Cientistas Americanos, a movimentação não altera a capacidade de dissuasão atual, já que “os submarinos nucleares dos EUA já estão posicionados para atingir a Rússia”.
A escalada verbal acontece em meio ao aumento da tensão entre os dois países. Trump vem demonstrando crescente insatisfação com o presidente russo Vladimir Putin, acusando-o de não buscar seriamente uma solução para a guerra na Ucrânia, que já dura mais de três anos. Recentemente, Trump impôs um ultimato de 10 dias à Rússia para aceitar um cessar-fogo, sob ameaça de novas sanções.
Apesar do tom agressivo, especialistas como Evelyn Farkas, diretora do Instituto McCain, afirmam que o gesto é simbólico. “Não é o início de um confronto nuclear, e acredito que os russos entendem isso dessa forma”, avaliou.
Enquanto isso, o Kremlin não deu sinais de que atenderá ao prazo imposto por Trump. O presidente Putin afirmou, na sexta-feira, que Moscou continua aberta a negociações, mas acredita que o conflito avança a seu favor.
