Um robô cirúrgico equipado com inteligência artificial realizou, pela primeira vez, uma cirurgia minimamente invasiva sem qualquer assistência humana. O feito inédito foi publicado nesta quarta-feira (9/7) na revista Science Robotics e representa um marco no avanço da automação médica.
Desenvolvido por cientistas das universidades Johns Hopkins e Stanford, o sistema foi treinado com dados de cirurgias reais e operou de forma totalmente autônoma oito vesículas biliares suínas, executando tarefas como identificação de ductos, fixação de clipes e cortes precisos. O robô tomou decisões adaptativas em tempo real, corrigindo erros sem a necessidade de interferência externa.
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Cirurgia com IA generativa e aprendizado por imitação
O sistema utiliza uma arquitetura de IA semelhante à de ferramentas como o ChatGPT, mas voltada para a tradução de linguagem cirúrgica em movimentos precisos. Foram analisadas 17 horas de vídeos e mais de 16 mil trajetórias para treinar a máquina.
Segundo Axel Krieger, líder da pesquisa, o novo modelo supera as limitações anteriores, que exigiam ambientes controlados e roteiros pré-definidos. “É como ensinar um robô a dirigir em uma estrada desconhecida apenas com o conhecimento do funcionamento do carro e das leis de trânsito”, comparou.
Ainda longe da prática clínica, mas com resultados promissores
Apesar do sucesso técnico, a aplicação clínica do robô ainda está distante. O procedimento levou mais tempo do que o realizado por um cirurgião humano, e há desafios éticos e operacionais a serem enfrentados — como a responsabilidade em caso de falhas e decisões de risco.
Mesmo assim, os pesquisadores consideram a experiência uma “prova de conceito” que pode transformar o futuro da medicina. O estudo mostra que é possível automatizar procedimentos cirúrgicos complexos com alto grau de precisão, abrindo caminho para uma nova era da cirurgia robótica.
