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França mobiliza 4.000 agentes para caçada a imigrantes ilegais em trens e ônibus

País reforça controles internos e costeiros contra a imigração irregular; operação ecoa estratégias já aplicadas pelos EUA na fronteira com o México.


A França lança uma operação de verificação de fronteira de dois dias em estações, trens e ônibus para combater a imigração ilegal – Foto: Martin Lelievre/AFP

A França iniciou nesta quarta-feira (18) uma operação nacional de combate à imigração ilegal com a mobilização de 4.000 agentes de segurança em estações ferroviárias e rodoviárias. A medida, anunciada pelo ministro do Interior, Bruno Retailleau, visa conter o aumento de estrangeiros em situação irregular no território francês, com foco especial em trens com destino a países vizinhos e grandes metrópoles internas.

“Quero deixar claro que os imigrantes ilegais não são bem-vindos na França, da forma mais firme e definitiva possível”, declarou Retailleau à rádio Europe 1 e ao canal CNews. Segundo ele, somente neste ano, mais de 47 mil pessoas em situação irregular já foram presas no país.

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A operação, que ocorre nesta quarta (18) e quinta-feira (19), também retoma de forma mais rigorosa os controles fronteiriços terrestres e faz parte de uma estratégia política mais ampla do ministro, conhecido por sua postura dura frente à imigração — semelhante à de autoridades americanas em relação à fronteira sul dos Estados Unidos.

Nos EUA, o uso intensivo da Patrulha de Fronteira (Border Patrol), o envio de tropas da Guarda Nacional e até mesmo o uso de drones e barreiras flutuantes no Rio Grande são exemplos de medidas comparáveis. A recente operação francesa lembra as ações de “verificação interna” realizadas em estados como Texas e Arizona, onde agentes federais fiscalizam ônibus, trens e terminais para interceptar migrantes sem documentos.

Retailleau também enviou instruções às Secretarias de Segurança Pública da França detalhando a execução da operação nacional, que se baseia no crescimento de 28% no número de interceptações de ESI (estrangeiros em situação irregular) nas últimas semanas.

Aperto também no litoral norte

A repressão não se limita aos meios de transporte. No litoral norte, especialmente na região de Calais, a França tem intensificado a vigilância para impedir travessias ilegais ao Reino Unido. Uma operação recente, realizada em 13 de junho na praia de Gravelines, chamou atenção: policiais armados entraram no mar e usaram gás lacrimogêneo para conter cerca de 30 migrantes — incluindo crianças — que tentavam embarcar rumo à Inglaterra.

A tática, considerada “excepcional” por sindicatos policiais, causou alarme entre associações humanitárias, que temem uma mudança mais agressiva na política migratória do país. “Estamos vendo uma escalada que pode levar à criminalização da simples tentativa de buscar refúgio”, alertou a ONG Utopia56.

Migrantes caminham entre suas tendas montadas entre as rochas instaladas pela prefeitura de Calais para tentar impedir o assentamento de migrantes perto do centro da cidade, no norte da França – Foto: Sameer Al Doumy/AFP

O governo francês mobiliza diariamente cerca de 1.200 agentes na costa — sendo 730 deles financiados pelo Reino Unido, conforme o Acordo de Sandhurst, firmado entre os dois países em 2018.

Nos EUA, operações semelhantes têm sido comuns ao longo da fronteira com o México, incluindo o envio de forças estaduais ao longo do rio Grande, o uso de tecnologia de rastreamento e ações no deserto do Arizona. Em ambos os casos, a militarização da resposta à imigração tem gerado críticas por parte de organizações de direitos humanos.

Fronteiras mais rígidas, pressões maiores

A nova ofensiva da França ocorre em meio ao crescimento de pressões populistas e políticas dentro da União Europeia e deve ampliar o debate sobre os limites legais e humanitários das ações de controle migratório. Tal como nos EUA, onde o tema divide o Congresso e influencia eleições, a política migratória francesa tem se tornado um dos principais pilares de campanha de partidos de direita e extrema-direita.

Enquanto isso, o número de deslocados no mundo atinge níveis recordes, e especialistas alertam: cercas e controles não resolverão as causas profundas da migração forçada.