
Trabalhadores da empresa petrolífera estatal limpam derramamento de óleo causado por um deslizamento de terra que fraturou um oleoduto ao longo do rio Viche, Equador, sábado, 15 de março de 2025 – Foto: Dolores Ochoa/AP
Segundo as autoridades, o desastre já impacta cerca de 500 mil pessoas. A empresa anunciou o adiamento das exportações do petróleo do tipo Oriente, ao acionar a cláusula de força maior em suas operações.
Com essa medida, a Petroecuador busca evitar sanções por possíveis descumprimentos contratuais com seus compradores. “A declaração de emergência não será superior a 60 dias e tem como objetivo (…) destinar todos os recursos necessários para minimizar o impacto do evento de força maior nas operações de exploração, extração, transporte e comercialização de hidrocarbonetos”, informou a Petroecuador em comunicado.
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Na última quinta-feira (13), um deslizamento de terra causou a ruptura do oleoduto, resultando no vazamento de dezenas de milhares de barris de petróleo, que contaminaram pelo menos cinco rios, incluindo o Esmeraldas, que desagua no Oceano Pacífico.
“O derramamento afeta cerca de 500 mil pessoas, pois temos um consórcio de abastecimento de água que atende várias localidades a partir da mesma estação de tratamento”, afirmou Vicko Villacís, prefeito da cidade de Esmeraldas, ao canal Teleamazonas.
200 mil barris
A Petroecuador estima que as operações serão retomadas ainda nesta semana. A empresa informou que os clientes que aguardavam a entrega do petróleo serão notificados sobre a reprogramação das exportações.
Atualmente, a estatal utiliza 90 caminhões-tanque para recuperar o petróleo derramado, mas ainda não divulgou a quantidade exata do vazamento. No entanto, Villacís estima que cerca de 200 mil barris tenham sido despejados no meio ambiente.
O biólogo marinho Eduardo Rebolledo, da Universidade Católica de Esmeraldas, alertou ao canal Ecuavisa que, devido à poluição, “não há formas de vida na água” dos rios Caple e Viche, onde “flui uma mistura de petróleo emulsionado com água”.
“No interior da província de Esmeraldas, o abastecimento de água potável foi limitado. A população depende muito dos rios para suprir suas necessidades diárias”, enfatizou Rebolledo.
Villacís destacou que, apenas na capital provincial, a cerca de 100 km do local do vazamento, mais de 213 mil pessoas foram afetadas. O petróleo derramado já atingiu diversos afluentes, chegando ao rio Esmeraldas e contaminando partes do Oceano Pacífico, incluindo áreas turísticas como a praia de Atacames.
Estado de emergência ambiental
O governo equatoriano declarou estado de emergência ambiental na província, que abriga um refúgio de vida silvestre.
A Petroecuador, responsável pelo oleoduto, continua utilizando caminhões-tanque para coletar o petróleo derramado na região de El Vergel, no município de Quinindé. O prefeito da cidade, Ronald Moreno, informou que cerca de 4.500 famílias – aproximadamente 15 mil pessoas – foram afetadas.
Em 2024, o Equador produziu cerca de 475 mil barris de petróleo por dia, sendo esse um dos principais produtos de exportação do país. No mesmo ano, o país vendeu 73% de sua produção, gerando aproximadamente US$ 8,65 bilhões em receita.
(Com AFP)
