Internacional

Venezuela

Maduro “reeleito” entre denúncias. Oposição contesta e aponta fraude ‘grosseira’

CNE anunciou a reeleição de Maduro com 5,15 milhões de votos (51,2%) frente a González Urrutia, com 4,45 milhões (44,2%). Venezuelanos que vivem em outros países afirmam que as eleições foram fraudadas e que "querem voltar para casa."


O órgão afirma que, com esse percentual de urnas contadas até o momento, a vitória de Maduro é considerada “irreversível”.

A vitória foi comemorada por Maduro, que apareceu no palácio presidencial diante de apoiadores. Em discurso, ele afirmou que sua reeleição é um triunfo da paz e da estabilidade. “O fascismo na Venezuela, na terra de Bolívar e Chávez, não passará”, disse.

Continua depois da Publicidade

A oposição se manifestou denunciando fraude nas eleições. o grupo de oposição da Venezuela contestou os resultados oficiais que declararam a reeleição de Nicolás Maduro. A líder opositora María Corina anunciou que uma contagem paralela indicava a vitória de Edmundo González, candidato da Plataforma Unitária Democrática (PUD), que liderava as pesquisas.

O dia das Eleições 

O dia da eleição começou às 06h00 locais e terminou às 18h00. As eleições contaram com apoio internacional e observadores de todo o mundo, incluindo políticos, acadêmicos, parlamentares, intelectuais, jornalistas e personalidades da América Latina, Caribe, Europa, África, América do Norte e Ásia.

De acordo com o Conselho, um total de 21 milhões 620 mil 705 eleitores venezuelanos no país e 228 mil eleitores residentes no exterior foram habilitados a exercer o seu direito de voto, nos mais de 15.000 centros de votação distribuídos por todo o país.

Vídeos que circulam na web mostram como foi a votação

Após o anúncio da vitória de Nicolás Maduro por 51,2% dos votos pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, a líder da oposição Maria Corina Machado se negou a reconhecer a derrota de seu candidato, Edmundo González Urrutia, nas eleições presidenciais de domingo (28) na Venezuela.

“Ganhamos e todos sabem disso”, disse Machado em uma coletiva de imprensa. “Queremos dizer a toda a Venezuela e ao mundo que a Venezuela tem um novo presidente eleito, e ele é Edmundo González Urrutia”, disse, contrariando o resultado das urnas.

“González Urrutia obteve 70% dos votos; e Nicolás Maduro 30%. Esta é a verdade. Parabéns, Edmundo”, continuou Machado, que estava acompanhada do candidato da oposição.

O presidente do órgão eleitoral, Elvis Amoroso, havia anunciado pouco antes a reeleição de Maduro com 5,15 milhões de votos (51,2%) frente a González Urrutia, com 4,45 milhões (44,2%), segundo um primeiro boletim oficial com 80% da apuração.

Amoroso assegurou que esse boletim reflete uma tendência “contundente e irreversível” e denunciou uma “agressão contra o sistema de transmissão de dados que retardou” a contagem.

O ditador Maduro x González Urrutia: “foram violadas todas as normas” de votação, afirmou Urrutia – Foto: reprodução

González Urrutia, por outro lado, afirmou que no processo eleitoral “foram violadas todas as normas” de votação.

“Nossa mensagem de reconciliação e paz continua vigente. Nossa luta continua. Não descansaremos até que a vontade do povo da Venezuela seja refletida”, insistiu. Machado também se dirigiu aos militares. “O dever da Força Armada Nacional é fazer respeitar a soberania popular e é isso que esperamos”, disse.

“Não vamos aceitar a chantagem de que a defesa da verdade é violência. Violência é ultrajar a verdade”, acrescentou, pedindo aos apoiadores que permaneçam em “vigília cívica” ao redor dos centros de votação.

A eleição venezuelana foi acompanhada por observadores de diversas partes do mundo, entre eles uma delegação do Centro Carter e um painel de quatro especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU).