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Cerimônia em Ímola recorda 30 anos da morte de Ayrton Senna

O mundo recorda nesta quarta-feira (1°) os 30 anos da morte do piloto Ayrton Senna. A convite do governo italiano, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa de uma cerimônia em memória do ídolo da Fórmula 1 no circuito de Ímola, onde aconteceu o trágico acidente em 1994. O piloto austríaco Roland Ratzenberger, morto na véspera durante os treinos, também é homenageado.


Sem dúvida, aquele fim de semana em Ímola, em 1994, jamais será esquecido. Desde a sexta-feira, com o fortíssimo acidente de Rubens Barrichello, a sensação era de que algo pior poderia acontecer a qualquer momento. E, de fato, o sábado ficou ainda mais pesado, porém a morte de Ayrton Senna no domingo, 1º de maio, completou o choque de forma visceral.

Fãs participam de homenagem a Ayrton Senna no circuito de Ímola REUTERS – Jennifer Lorenzini

O autódromo Enzo e Dino Ferrari está aberto o dia todo, com entrada gratuita até 18h para homenagens e atividades com os fãs de Fórmula 1. Paralelamente, o Museu Checco Costa exibe exposições sobre a carreira dos dois pilotos.

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O ministro Mauro Vieira e o chanceler da Áustria, Alexander Schallenberg, são recebidos no circuito pelo chanceler da Itália, Antonio Tajani, pelo prefeito da cidade italiana, Marco Panieri, e dirigentes da Fórmula 1. Também é esperado na cidade o piloto Bruno Senna, sobrinho de Ayrton, filho de sua irmã Viviane.

Às 14h17, horário do acidente de Senna na curva Tamburello, está previsto um minuto de silêncio e depósito de flores. No final, a delegação de autoridades se deslocará para a curva Villeneuve, palco do acidente de Ratzenberger.

Como tudo aconteceu

A Fórmula 1 não lidava com a morte de um piloto nas pistas desde 1986. Na ocasião, durante testes no circuito de Paul Ricard, na França, a asa traseira do Brabham de Elio de Angelis se soltou em alta velocidade, e o piloto italiano capotou sobre a barreira de pneus. O impacto em si causou uma fratura de clavícula e contusões lombares em De Angelis, porém o carro imediatamente pegou fogo, e o piloto não conseguiu sair do veículo sozinho. Para piorar, não havia fiscais de pista no momento do acidente, e o helicóptero de resgaste levou 30 minutos para chegar ao local.

De Angelis morreu de asfixia no hospital por conta da fumaça. Dali em diante, os padrões de segurança para qualquer evento de Fórmula 1 em pista de corrida foram modificados. Passou a ser obrigatório a presença de um helicóptero e bombeiros em vários setores do circuito.

Podemos dizer, então, que os carros eram mais ‘raízes’, porém tornaram-se mais perigosos. Muito mais. E a chegada ao veloz circuito de Ímola mostrou da forma mais cruel o quanto a principal categoria do esporte a motor do mundo ainda era mortal. Primeiro no sábado, com o austríaco Roland Ratzenberger, estreante na temporada; depois, a perda de Senna.

Abaixo, o GRANDE PRÊMIO traz a cronologia do 1º de maio de 1994 em Ímola, desde o começo da manhã até o momento em que o corpo de Senna é liberado do hospital para os procedimentos legais antes de voltar ao Brasil para a cerimônia fúnebre.

12h50 (7h50, horário de Brasília): O domingo do dia 1º de maio de 1994 começou com previsão de pista seca para as 61 voltas programadas para o GP de San Marino, em Ímola. Um dia quente, porém em clima nebuloso por conta da morte de Ratzenberger no dia anterior, durante a classificação. A sensação era ainda de choque para os pilotos, que àquela altura discutiam medidas de segurança urgentes para que acidentes como o do austríaco não se repetissem.

14h (9h, de Brasília): Os carros partem para a volta de apresentação e tomam seus respectivos colchetes no grid, com Senna mais uma vez na pole — a terceira em três corridas realizadas na temporada, a 65ª volta mais rápida em classificação do piloto. Ao seu lado, contudo, está novamente Michael Schumacher, dominante no início de campeonato com a Benetton e cada vez mais o rival a ser batido pelo brasileiro no ano.

Assim que as luzes se apagam, Senna mantém a liderança, não dando chances para Schumacher. O safety-car, porém, logo é acionado após forte batida entre Pedro Lamy e JJ Lehto.

14h14 (9h14): Após quase 15 minutos sob intervenção do carro de segurança, a corrida recomeça na abertura do sexto giro. Com cinco voltas completadas atrás do carro de segurança, Senna é o líder, seguido de perto por Schumacher, a 0s5. Gerhard BergerDamon Hill e Heinz-Harald Frentzen completam o top-5. Christian Fittipaldi é o 14º.

14h16 (9h16): Senna passa pela reta dos boxes e abre o sétimo giro. Ao chegar na curva Tamburello, trecho de altíssima velocidade, passa reto e bate forte no muro.

Médicos atendem Ayrton Senna após grave acidente (Foto: Reprodução)

14h33 (9h33): São cerca de 20 minutos de trabalho intenso da equipe médica no local do acidente até Senna ser posto no helicóptero e levado ao Hospital Maggiore, em Bolonha.

14h44 (9h44): Senna dá entrada no centro de reanimação do Maggiore. Após tomografias realizadas, Dr. Franco Baldoni, chefe do departamento cirúrgico, informa que os danos cerebrais que o brasileiro sofreu por conta da batida não podem ser sanados por procedimentos cirúrgicos. Exames posteriores demonstram que Senna não sofreu nenhuma lesão torácica, tampouco enfrenta problemas respiratórios — a gravidade de seu quadro clínico se dá unicamente por questões neurológicas.

15h26 (10h26): A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) informa que Senna deu entrada no Hospital Maggiore, em Bolonha, vivo e foi levado diretamente para o setor de reanimação para receber cuidados intensivos.

16h30 (11h30): O estado de saúde de Ayrton Senna é considerado “muito grave” pelos médicos do Hospital Maggiore. Após dar entrada no local às 9h44 (de Brasília), o boletim médico confirma que o tricampeão teve traumatismo craniano e está em coma. Além disso, apresenta quadro de choque hemorrágico.

17h55 (12h55): No Hospital Maggiore, a Dra. Maria Teresa Fiandri, chefe do departamento de reanimação e responsável por comandar os boletins médicos do piloto da Williams, anuncia que Senna está em estado de coma profundo.

18h05 (13h05): Os médicos responsáveis pela recepção e tratamento de Senna no Hospital Maggiore, em Bolonha, anunciam à imprensa que o quadro do piloto é de morte cerebral. O diagnóstico foi constatado às 11h05 (de Brasília), e a notícia foi dada oficialmente às 13h05.

Ayrton Senna morreu de um jeito trágico há 30 anos (Foto: Fórmula 1)

18h40 (13h40): Ayrton Senna da Silva, três vezes campeão mundial de F1, não resiste aos ferimentos causados pela colisão com o muro que limita o autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na curva Tamburello. As funções vitais e os batimentos cardíacos do piloto se encerraram às 13h40 (de Brasília), no Hospital Maggiore, em Bolonha. Senna morreu aos 34 anos de idade.

O anúncio da morte de Senna foi feito pela Dra. Maria Teresa Fiandri, diretora do departamento de Anestesia e Reanimação do Maggiore e responsável pelas atualizações sobre os boletins médicos de Senna. A morte cerebral já havia sido confirmada antes, após um eletroencefalograma e uma tomografia.

21h27 (16h27): O Hospital Maggiore libera e encaminha o corpo de Senna ao Instituto Médico Legal de Bolonha. Em seguida, os legistas realizam a autópsia, como pede a legislação italiana em casos de morte não-natural. Após necropsia e análise legal, a família é autorizada a levar o corpo para o Brasil. O presidente Itamar Franco coloca um avião da Força Aérea Brasileira à disposição dos Senna por meio do embaixador brasileiro em Roma, Orlando Carbonar.

Ayrton Senna da Silva, três vezes campeão mundial de F1 – Foto: reprodução