A polícia da Nicarágua deteve outro padre católico crítico ao governo do país, informaram duas fontes próximas à Igreja à Reuters nesta segunda-feira (10), tornando-o o mais novo sacerdote a ser alvo de uma repressão cada vez maior ao clero no país.
Fernando Zamora, padre que também exerce funções administrativas na diocese de Siuna, no norte da Nicarágua, foi preso no domingo (9) na capital Manágua depois de assistir a uma missa presidida pelo principal líder católico do país, o cardeal Leopoldo Brenes, segundo as fontes.
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Não ficou imediatamente claro quais são as acusações que Zamora enfrenta. O governo e a polícia não responderam a um pedido de comentário sobre o assunto.
A Igreja Católica da Nicarágua está na mira de uma campanha do governo que já dura cinco anos e visa a prisão ou expulsão de padres e freiras do país, assim como uma investigação ampla de lavagem de dinheiro anunciada por autoridades no final de maio que congelou todas as contas bancárias de igrejas.
A repressão se intensificou neste ano, com padres denunciando agressões e a vigilância do governo sobre cerimônias.
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, acusa os líderes católicos de atividades criminosas, incluindo de uma tentativa de derrubar seu governo.
A prisão de Zamora se soma às de outros quatro padres que já estão atrás das grades, incluindo o bispo Rolando Alvarez, que, em fevereiro, foi condenado e sentenciado sem julgamento a 26 anos de prisão por traição.
Relações cortadas
Em fevereiro, o Papa Francisco havia expressado abertamente sua “tristeza” pela condenação à prisão do bispo nicaraguense Rolando Álvarez, conhecido crítico do governo Ortega.

Foto: reprodução
Em 10 de fevereiro, Rolando José Álvarez, bispo da diocese de Matagalpa, Nicarágua, foi condenado a mais de 26 anos de prisão por crimes como divulgação de notícias falsas, ataque ao Estado da República e à sociedade nicaraguense.
O Governo da Nicarágua tomou medidas para suspender as relações diplomáticas com o Vaticano em março deste ano. A medida ocorreu quando as tensões aumentaram entre o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, e o Papa Francisco. Durante uma entrevista a um meio de comunicação argentino, Francisco comparou o governo de Ortega a uma “ditadura”.

Ortega e Lula – Foto: reprodução
Após o Brasil se recusar a assinar um documento com outras 55 nações condenando as atrocidades e violações de direitos humanos na Nicarágua, a diplomacia brasileira resolver criticar o regime de Daniel Ortega nas Nações Unidas (ONU) No entanto, o País não concordou com os peritos da ONU que sugeriram à comunidade internacional impor sanções às instituições ou indivíduos envolvidos nos crimes cometidos pela ditadura da América Central.
O governo Lula defende o diálogo para restaurar a democracia no país. Segundo o relatório deste peritos, foi identificado um padrão de execuções extrajudiciais realizadas por agentes da Polícia Nacional e membros de grupos armados pró-governamentais. Esses profissionais concluíram que o regime de Daniel Ortega “vem cometendo crimes contra a humanidade ao perseguir e matar civis por razões políticas”.
"🆘 Urgent: Catholic priest Fernando Zamora Silva has been arbitrarily detained in Nicaragua, adding to the persecution against the Catholic Church. We call upon the international community to address this grave situation and demand action. #ReligiousFreedom… pic.twitter.com/w90790xwTj
— Félix Maradiaga (@maradiaga) July 10, 2023
Com informações da CNN
