
Bolsonaro espera apoio de Centrão, mas grupo também faz articulações com petistas Foto: Wilton Junior/Estadão
Nos bastidores da Câmara e do Planalto, uma negociação tensa está em andamento entre o PT e o Centrão para derrotar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Anistia a Jair Bolsonaro, uma proposta que pretende conceder uma ampla e irrestrita anistia ao ex-presidente e aos envolvidos na trama golpista do 8 de Janeiro. Apesar da aparente fidelidade do Centrão a Bolsonaro, o grupo político tem buscado uma aliança com o governo para aprovar a PEC da Blindagem, que cria obstáculos para a prisão e abertura de processos contra parlamentares.
O Centrão, em troca do apoio do PT para barrar o PL de Bolsonaro na Câmara, propôs votar contra o requerimento de urgência da anistia, mas com a condição de que o governo ajude a proteger seus membros de investigações da Polícia Federal, especialmente aquelas envolvendo corrupção e desvio de emendas. A negociação é vista com ceticismo, até mesmo dentro do PT, onde a aliança com o Centrão gerou divisões. Muitos petistas consideram essa aproximação contraditória com o discurso de combate aos privilégios do presidente Lula.
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Na manhã de terça-feira, 16, uma reunião entre o presidente do PT, Edinho Silva, e membros do partido revelou esse racha. Apesar das orientações contra a PEC da Blindagem, parte dos deputados petistas admitiu que votaria a favor da proposta, com a justificativa de que os fins poderiam justificar os meios.
Enquanto isso, no Planalto, a titular de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, mantinha negociações com o Centrão e o MDB para definir os rumos da votação. Paralelamente, o presidente da Câmara, Hugo Motta, tenta evitar impasses e garantir a aprovação de pautas populares, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Entretanto, os interesses do Centrão continuam a se sobrepor. Mesmo disposto a “rifar” Bolsonaro — condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo STF —, o grupo político ainda tenta manter boas relações com o ex-presidente, principalmente com vistas à sucessão de Lula em 2026, quando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pode ser lançado como candidato.
A tensão cresce à medida que o PL de Bolsonaro tenta emplacar o indulto retroativo para proteger seus aliados, mas o jogo está longe de ser decidido. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já sinalizou que não aceitará propostas de indulto, mas se o bloco bolsonarista conquistar a maioria nas eleições de 2026, a história pode ter um desfecho imprevisível. A situação permanece incerta, e todos os envolvidos sabem que a qualquer momento, novos “jabutis” podem surgir no caminho da política brasileira.
Com informações de Vera Rosa/Estadão
