Política

Brasil

Lula inicia ano eleitoral com alta desaprovação, aponta pesquisa PoderData

57% dos brasileiros desaprovam o desempenho pessoal do presidente; avaliação negativa sobre corrupção e governo também cresce. Levantamento reflete desgaste político no início de 2026, com contraste entre imagem pessoal e avaliação da administração federal.


Em meio ao início do ano eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um cenário de desgaste entre os eleitores brasileiros, segundo a mais recente pesquisa do instituto PoderData, divulgada em 28 de janeiro. O levantamento mostra que 57% dos entrevistados desaprovam o desempenho pessoal do presidente, enquanto 34% dizem aprovar sua atuação, e 9% não souberam responder ou não opinaram.

O resultado representa um aumento de reprovação em comparação com levantamentos anteriores, mantendo uma tendência de deterioração da imagem de Lula desde março de 2024 — quando a desaprovação era menor e a aprovação, maior.

Continua depois da Publicidade

O que aconteceria se houvesse união das lideranças de direita? Uma questão que possivelmente ficará sem resposta – Bom para Lula – Foto: Reprodução 

Governo também sofre com avaliação negativa

Além da desaprovação pessoal ao presidente, a pesquisa indica que a própria gestão federal também é mal avaliada pelos eleitores: 53% desaprovam o governo, contra 41% que aprovam, segundo a análise divulgada pelo Poder360.

Essa diferença sugere que parte dos entrevistados diferencia a figura de Lula da percepção sobre as políticas públicas implementadas pela administração, ainda que ambos os indicadores permaneçam desfavoráveis.

Percepção sobre corrupção cresce

Outro ponto destacado pela pesquisa é a aumento da percepção de corrupção na gestão Lula nos últimos dois anos: o percentual de brasileiros que acreditam que a corrupção aumentou subiu de 39% para 49% entre janeiro de 2024 e janeiro de 2026, enquanto os que veem redução caíram de 30% para 18%.

Metodologia e contexto

O levantamento foi realizado entre os dias 24 e 26 de janeiro de 2026, com 2.500 entrevistas por telefone em 111 municípios de todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Apesar de ser um ano marcado por eleições presidenciais, a pesquisa PoderData não foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pois não se trata de um estudo de intenção de voto para cargo específico.

Cenário político em 2026

O resultado desse levantamento coincide com um cenário político ainda dividido no país, com vários institutos de pesquisa apontando avaliações desfavoráveis tanto para o presidente quanto para seu governo. Outros estudos recentes também mostram avaliações negativas significativas — ainda que variem conforme o método e o período de coleta — reforçando o debate público em torno dos rumos da gestão e das expectativas eleitorais no Brasil.

O que dizem cientistas políticos

Do ponto de vista técnico-eleitoral, a estratégia tende a criar uma assimetria relevante na disputa. Ao apostar majoritariamente em um único candidato, a esquerda busca concentrar capital político, tempo de TV, recursos partidários e narrativa, reduzindo dispersão de votos no primeiro turno e facilitando a ida à fase decisiva. Já a direita, ao lançar três ou mais candidaturas competitivas, amplia seu alcance inicial a diferentes segmentos do eleitorado, mas assume o risco clássico da fragmentação, que pode diluir votos decisivos e enfraquecer a construção de um adversário único e robusto contra Lula.

Em cenários assim, a eleição tende a se organizar menos por afinidade programática e mais por coordenação estratégica: quem conseguir unificar apoios mais cedo — especialmente entre o primeiro e o segundo turno — ganha vantagem. Caso a direita não converja rapidamente para um nome viável, a multiplicidade de candidaturas pode, paradoxalmente, favorecer o candidato da esquerda, mesmo em um ambiente de desaprovação elevada, ao permitir que ele avance como o polo mais organizado em um campo adversário dividido.