
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) notificou 24 hotéis e o sindicato da categoria, exigindo explicações e histórico tarifário de Belém do Pará – Foto: Reprodução
Belém, capital do Pará, vive uma crise de hospedagem às vésperas da COP30, a maior conferência climática do planeta, marcada para novembro. Diárias de hotéis chegam a R$ 6.500, e imóveis estão sendo anunciados por mais de R$ 1 milhão para um período de 11 dias. A escalada de preços já preocupa delegações internacionais e pode afetar a participação de representantes de países em desenvolvimento, cientistas e ativistas.
A comparação com cidades de alto custo como Nova York revela o tamanho do problema: na metrópole norte-americana, hospedagens para o mesmo período custam, em média, entre R$ 250 e R$ 500. Em Belém, os valores são até cinco vezes maiores que o normal.
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Acordo federal emperrado
Em abril, o governo federal anunciou a elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para conter os preços. O documento, que envolveria hotéis e plataformas como Airbnb e Booking, ainda não foi assinado. Segundo o Ministério da Justiça, a proposta está sob análise e enfrenta forte resistência do setor hoteleiro, que alega interferência indevida.
Notificações e impasse
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) notificou 24 hotéis e o sindicato da categoria, exigindo explicações e histórico tarifário. O setor reagiu com críticas, classificando os pedidos como abusivos e se recusando a fornecer dados. Ainda assim, a Senacon segue com o processo administrativo e poderá aplicar multas, exigir devoluções e, em casos extremos, até intervir nos estabelecimentos.
Repercussão internacional
Durante reuniões preparatórias em Bonn, na Alemanha, delegações relataram dificuldades para participar da conferência por causa dos custos e pressionaram o governo brasileiro por medidas urgentes. Países africanos chegaram a sugerir a mudança da sede, o que foi descartado pela ONU, que reafirmou Belém como local do evento.
Soluções alternativas
Enquanto o TAC federal segue parado, o governo do Pará firmou um acordo para garantir 500 quartos com diárias entre US$ 100 e US$ 300. Porém, parte dessas acomodações fica fora de Belém, como em Castanhal, a 70 km do centro.
Outras medidas envolvem hospedagem em navios de cruzeiro, escolas adaptadas como hostels e até motéis reconfigurados. A Embratur apoia a chegada de navios com cerca de 6 mil leitos, e a rede pública estadual deve oferecer até 5 mil vagas adicionais.
Impacto no debate climático
A falta de hospedagem acessível ameaça a diversidade e legitimidade da COP30. Especialistas alertam que a crise pode afastar os participantes mais vulneráveis e transformar o evento em uma conferência marcada por obstáculos logísticos, em vez de avanços climáticos concretos.
O que está em risco?
A situação em Belém compromete o planejamento de delegações, reduz a participação da sociedade civil e pode minar a credibilidade do Brasil como anfitrião. Sem solução rápida, a COP30 corre o risco de se tornar, nas palavras de negociadores estrangeiros, “a mais inacessível dos últimos anos”.
