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Blindagem no poder: CPMI do INSS poupa irmão de Lula e evita convocação de Guedes

Comissão que apura fraudes no INSS ignora nomes ligados ao alto escalão político, acatando acordos que levantam suspeitas sobre seletividade nas investigações.


Frei Chico, irmão do presidente Lula e dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados – Foto: Reprodução

Em mais um movimento que levanta questionamentos sobre a seletividade na apuração de fraudes milionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) decidiu, nesta terça-feira (26), não convocar Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), além de também poupar o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que comandava a área durante parte do período investigado.

A blindagem foi resultado de um acordo entre governistas e opositores, revelando uma flexibilização política das regras, frequentemente rígidas com nomes de menor expressão, mas complacentes com quem tem proximidade com o poder.

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Ex-ministro da Economia Paulo Guedes também foi deixado de fora – Foto: Reprodução

Enquanto ex-ministros da Previdência e dez ex-presidentes do INSS foram incluídos na lista de convites (sem obrigatoriedade de comparecimento), nomes como Frei Chico e Guedes, diretamente ligados a estruturas envolvidas nas decisões de gestão e política previdenciária, foram deixados de fora sem justificativas técnicas convincentes.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), enfatizou que as investigações vão retroceder até a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff. No entanto, a linha do tempo parece evitar figuras politicamente sensíveis, como Paulo Guedes — que absorveu funções da Previdência quando o ministério foi extinto no governo Bolsonaro — e ministros da Fazenda do governo Temer, como Henrique Meirelles e Eduardo Guardia.

Em contrapartida, foram chamados:

  • Carlos Gabas, Miguel Rossetto, Onyx Lorenzoni, José Carlos Oliveira, Carlos Lupi e Wolney Queiroz (ex e atual ministros da Previdência).

  • Dez ex-presidentes do INSS, de 2012 a 2025.

  • Nomes ligados diretamente aos esquemas de desconto indevido, como Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” que já busca garantir direito de ficar em silêncio.

A CPMI também aprovou pedidos de informação e acesso a inquéritos que tramitam no STF, PGR, TCU, CGU, além de apoio técnico de órgãos como Banco Central, Receita Federal e Ministério Público Federal.

Apesar do volume de requerimentos e da abrangência do escopo, a decisão de blindar aliados de Lula e figuras centrais de outros governos reforça a percepção de que há uma regra para os poderosos — e outra para os demais.

A atuação da CPMI, que deveria servir como ferramenta de fiscalização e transparência, corre o risco de se tornar um palco de proteção política, caso continue ignorando nomes de relevância apenas por conveniência estratégica.