O ambiente no Supremo Tribunal Federal (STF) ficou ainda mais tenso após a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do chamado caso Master. Em vez de pacificar os ânimos, a decisão foi seguida pela divulgação de trechos de reuniões internas da Corte, o que provocou desconfiança entre os magistrados.

Ministro Dias Toffoli – Foto: Reprodução
O portal Poder360 publicou um relato detalhado de encontros realizados na quinta-feira, incluindo uma reunião reservada com a presença do presidente do STF, Luiz Edson Fachin, além de Toffoli e dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.
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Segundo relatos, parte significativa do conteúdo divulgado corresponde fielmente ao que foi dito nas reuniões, inclusive com reprodução literal de frases. No entanto, alguns ministros afirmam que determinadas falas teriam sido distorcidas e que trechos desfavoráveis a Toffoli não apareceram na reportagem. Isso gerou suspeitas internas e alimentou rumores ao longo do dia.
Procurado, Toffoli negou qualquer envolvimento com gravações ou vazamentos, classificando as acusações como “totalmente inverídicas”. Ainda assim, integrantes da Corte relataram perplexidade com a divulgação de conversas que ocorreram sem a presença de assessores, apenas entre os magistrados.
Foram três reuniões no total: uma reservada antes da sessão plenária e duas posteriores, somando quase três horas de discussões. De acordo com a reportagem, oito dos dez ministros teriam inicialmente se posicionado a favor da permanência de Toffoli na relatoria do inquérito que investiga supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Apenas Fachin e Cármen Lúcia teriam defendido seu afastamento.
Ministros como Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux, Flávio Dino e Cristiano Zanin também teriam defendido a manutenção do colega.
Contudo, após ponderações sobre o contexto político do caso, especialmente após manifestação de Dino, Toffoli optou por deixar a relatoria. Com isso, André Mendonça foi sorteado como novo responsável pelo processo. A mudança evitou uma eventual declaração formal de suspeição e preservou os atos já praticados no inquérito.
O episódio deixou claro que, mais do que a troca de relator, o maior impacto foi a quebra de confiança entre os membros da Corte. Para alguns ministros, independentemente de ter havido gravação, a divulgação de trechos literais representa uma ruptura grave no ambiente interno do tribunal.
Parafraseando Cazuza
Eu vejo os palácios tremerem por dentro,
vejo discursos firmes perderem o vento.
Vejo a verdade ser dita pela metade
e a confiança virar tempestade.
Me chamam de forte, de juiz, de razão,
mas por trás da toga também bate um coração.
Entre versões, vazamentos e tensão,
cada palavra vira munição.
E enquanto todos apontam culpados,
elevam suspeitas, reescrevem os fatos,
o relógio segue — implacável e voraz —
lembrando a todos: o tempo não para jamais.
Ele não espera acordos nem retratações,
não respeita cargos nem reputações.
Passa por cima de crises e glórias raras,
porque no fim… o tempo não para.
