
Ronnie Lessa, Élcio de Queiroz, Maxwell Simões, o Suel, e Edimilson Oliveira, o Macalé — Foto: Reprodução
O julgamento dos acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 2018 no Rio de Janeiro, avançou nesta terça-feira (24) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão foi dedicada à leitura da acusação feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e às sustentações orais dos advogados de defesa. A continuidade da análise está prevista para quarta-feira (25), a partir das 9h, com os votos dos ministros.
Entre os réus estão o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, seu irmão e ex-deputado federal Chiquinho Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa, o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial Robson Calixto, todos presos preventivamente. Segundo a investigação, Ronnie Lessa, réu confesso dos disparos, apontou os irmãos Brazão e Barbosa como mandantes do crime. Os demais réus teriam atuado no planejamento e execução, incluindo fornecimento da arma e monitoramento da rotina de Marielle.
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As defesas negaram envolvimento, contestando a delação de Ronnie Lessa e afirmando ausência de provas de participação política ou criminosa dos acusados. A PGR, por sua vez, sustenta que há provas robustas da responsabilidade de todos na execução do assassinato.

Familiares de Marielle e de Anderson acompanham o julgamento, reforçando pedidos por justiça – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.
O caso também se tornou objeto de debates políticos. A famosa frase “Quem matou Marielle?” foi usada por setores políticos para vincular o ex-presidente Jair Bolsonaro ao crime, apontando-o como suposto mandante. Até o momento, não houve qualquer retratação oficial sobre a instrumentalização do episódio como ferramenta de campanha ou narrativa midiática, mantendo em aberto o debate sobre responsabilidades e o uso político de tragédias.
Relembre o Caso Marielle
14 de março de 2018
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Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, e seu motorista Anderson Gomes são assassinados a tiros na região do Estácio, no Rio de Janeiro.
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O crime chocou o país e iniciou uma investigação sobre mandantes e executores, com forte repercussão nacional.
2018–2019
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A Polícia Federal e a Polícia Civil identificam Ronnie Lessa, ex-policial militar, como executor dos disparos, e outros suspeitos envolvidos na logística do crime.
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Entre os investigados estão os irmãos Brazão (Domingos e Chiquinho), acusados de serem mandantes do assassinato, e aliados ligados a milícias e interesses fundiários no Rio.

Quem teria executado a vereadora do PSOL, era a pergunta mais ouvida à época com grandes manifestações populares – Foto: Marcelo Sayão/EFE
2019–2020
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A frase “Quem matou Marielle?” começa a circular em manifestações políticas e mídias sociais.
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Alguns setores políticos e veículos midiáticos passaram a sugerir ligação do ex-presidente Jair Bolsonaro ao crime, mesmo sem qualquer prova direta, usando o caso como ferramenta de pressão e narrativa política.
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A associação ao ex-presidente ganhou repercussão nacional, especialmente em eleições e debates sobre segurança pública e milícias.

Campanhas foram disparadas em busca de nomes envolvidos no crime – Foto: Reprodução
2021–2025
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O STF e a Justiça continuam apurando as responsabilidades de todos os envolvidos.
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Defesas dos réus questionam a delação de Ronnie Lessa, negam qualquer participação política dos irmãos Brazão e afirmam que não há evidências de que Bolsonaro estivesse envolvido.
Fevereiro de 2026
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24 de fevereiro: A Primeira Turma do STF encerra o primeiro dia do julgamento dos cinco réus, com leitura das acusações da PGR e sustentação oral dos advogados de defesa.
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Os réus permanecem presos preventivamente. A sessão será retomada em 25 de fevereiro para os votos finais.
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Familiares de Marielle e Anderson acompanham a sessão, cobrando justiça.
Ruídos e uso político do caso
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A frase “Quem matou Marielle?” foi amplamente utilizada como instrumento midiático e político para vincular Bolsonaro ao crime, apesar de não haver comprovação de participação do ex-presidente.
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Até o momento, não houve retratação oficial por parte de veículos ou setores que divulgaram a associação de Bolsonaro ao assassinato.
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Especialistas apontam que o episódio se tornou um exemplo de instrumentalização política de tragédias, misturando fatos, especulações e narrativa midiática.
