
Durante coletiva, o delegado Marcelo Martins afirmou que a organização contava com apoio interno de agentes públicos – Foto: Reprodução
Uma organização criminosa com atuação interestadual foi desarticulada em Manaus durante a Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas. Pelo menos cinco pessoas foram presas, entre elas a policial civil Anabela Cardoso Freitas. O grupo é investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional.
Segundo as investigações, o líder do esquema foi identificado como Alan Kleber Bezerra Lima. De acordo com a apuração policial, ele se apresentava como membro de uma igreja evangélica, utilizando a imagem religiosa como estratégia para ocultar as atividades ilícitas e manter aparência de respeitabilidade social.
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Rota interestadual e estrutura organizada
As diligências apontaram que a droga tinha origem em Tabatinga, município localizado na região de fronteira do Amazonas, e era enviada para os estados do Pará, Maranhão e São Paulo. A logística envolvia transporte fluvial e terrestre, indicando uma estrutura organizada e com ramificação nacional.
A investigação teve início após uma apreensão de grande porte que resultou na localização de mais de 500 tabletes de maconha do tipo skunk, sete fuzis de uso restrito, embarcações utilizadas no transporte dos entorpecentes, veículo para apoio logístico e diversos aparelhos celulares.
Envolvimento de servidores públicos
Durante coletiva de imprensa, o delegado Marcelo Martins afirmou que a organização contava com apoio interno de agentes públicos. Segundo ele, foram identificados servidores de diferentes esferas — inclusive municipal e até do Tribunal de Justiça — que teriam favorecido o funcionamento do esquema criminoso na capital amazonense.
A participação de uma policial civil entre os investigados reforça a suspeita de vazamento de informações sigilosas e facilitação de ações do grupo, o que também motivou a apuração por violação de sigilo funcional.
Inteligência financeira e bloqueio de bens
Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. Com autorização judicial, foram realizadas quebras de sigilo bancário e fiscal, extrações de dados telemáticos e o bloqueio e sequestro de bens.
A Operação Erga Omnes tem como objetivo interromper as atividades da organização criminosa, preservar provas e responsabilizar todos os envolvidos, tanto na esfera criminal quanto administrativa.
Os investigados poderão responder por tráfico interestadual de drogas — cuja pena pode ser agravada pela transnacionalidade e organização criminosa — além de crimes contra a administração pública, caso se confirme a participação de servidores no favorecimento das atividades ilícitas.
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes e mapear toda a rede de apoio logístico e financeiro do grupo.
