O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a transferência do julgamento dos acusados pelos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips para Manaus. O pedido foi feito no dia 17 de julho e veio a público neste fim de semana.
Atualmente, o processo tramita na Justiça Federal em Tabatinga, município próximo ao local do crime. No entanto, os procuradores argumentam que a cidade, por ser pequena e ter um histórico de violência, oferece riscos à segurança dos envolvidos no julgamento — incluindo jurados e réus — e pode comprometer a imparcialidade do processo.
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Os principais acusados, Amarildo da Costa Oliveira (conhecido como “Pelado”) e Jefferson da Silva Lima (“Pelado da Dinha”), respondem por duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ambos permanecem presos.

Uma selfie de Bruno Pereira tirada em missão no Vale do Javari em maio de 2022. Esta e outras imagens foram recuperadas do celular dele encontrado em um trecho de floresta alagada – Foto: Bruno Pereira/Divulgação
De acordo com o MPF, o contexto social de Tabatinga também pesa contra a manutenção do julgamento no município. A região, que integra a Terra Indígena Vale do Javari, vive um cenário tenso de disputas entre indígenas e pescadores por recursos naturais. Como grande parte da população local é composta por pescadores ribeirinhos e indígenas, os procuradores temem que a composição do júri seja influenciada por interesses ou pressões locais.
Além de Amarildo e Jefferson, outros envolvidos foram denunciados pelo crime, incluindo o colombiano Rubén Dario da Silva Villar, conhecido como “Colômbia”, apontado como o mandante da execução.

Dom Phillips em viagem a Roraima, na Aldeia Maloca Papiú, em 2019 — Foto: João Laet/AFP
O caso Bruno e Dom
Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram no dia 5 de junho de 2022, durante uma expedição no Vale do Javari, no interior do Amazonas. Dom coletava informações para o livro “How to Save the Amazon?”, voltado à preservação da floresta e à luta dos povos indígenas contra invasores.
Os dois foram vistos pela última vez em uma embarcação na comunidade de São Rafael, a caminho de Atalaia do Norte. A viagem de apenas duas horas terminou em tragédia: dez dias depois, os corpos de Bruno e Dom foram encontrados esquartejados, queimados e enterrados na mata.
A investigação revelou que os dois foram vítimas de uma emboscada planejada por Amarildo e seus comparsas. A motivação estaria relacionada à atuação de Bruno no combate à pesca ilegal na região.
O julgamento ainda não tem data definida, mas a decisão sobre a possível transferência para Manaus agora está nas mãos da Justiça Federal.

Uma das últimas fotos de Dom Phillips, foi tirada do celular de Bruno Pereira. Dom conversa com um morador de Ladário dois dias antes dos assassinatos – Foto: Bruno Pereira/Divulgação
Linha do tempo do caso Bruno e Dom
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5 de junho de 2022 – Bruno e Dom desaparecem durante viagem de barco entre a comunidade São Rafael e Atalaia do Norte.
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8 de junho de 2022 – Amarildo da Costa Oliveira é preso em flagrante por posse de munição e ameaças a indígenas.
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15 de junho de 2022 – Restos mortais de Bruno e Dom são encontrados.
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18 de junho de 2022 – Jefferson da Silva Lima é preso e identificado como participante direto do crime.
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21 de julho de 2025 – Justiça Federal aceita denúncia contra Rubén Dario Villar, o “Colômbia”, apontado como mandante.
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17 de julho de 2025 – MPF solicita a transferência do julgamento de Tabatinga para Manaus, alegando risco à segurança e à imparcialidade.
