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Megaoperação “Dragon Eye” resgata 60 crianças e desmantela rede de tráfico humano na Flórida

Ação conjunta liderada pelos U.S. Marshals expõe cenário alarmante de exploração infantil; oito pessoas foram presas e mais prisões são esperadas. O Brasil tem salto preocupante — da 27ª colocação em 2022 para a 5ª em 2024 em denúncias de páginas com conteúdo de abuso sexual infantil online, segundo relatório da rede internacional InHope.


Flórida, EUA — Em uma das maiores e mais impactantes ações contra o tráfico humano na história recente dos Estados Unidos, autoridades resgataram 60 crianças e adolescentes desaparecidos na região central da Flórida. A operação, batizada de “Dragon Eye”, foi liderada pelo Escritório dos U.S. Marshals com apoio do Departamento de Polícia Estadual da Flórida (FDLE) e do Escritório de Processos Judiciais do Procurador-Geral James Uthmeier.

As vítimas, com idades entre 9 e 17 anos, foram classificadas como “criticamente desaparecidas”, ou seja, em alto risco de sofrer crimes violentos como exploração sexual, abuso físico, dependência química e tráfico humano. Algumas das meninas resgatadas estavam grávidas — uma delas, segundo relatos, esperava um filho de seu próprio traficante e foi forçada a usar drogas durante toda a gestação.

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“A parte mais importante dessa operação é que essas crianças foram ouvidas, atendidas e cuidadas. Estamos tentando garantir que elas tenham uma nova chance, longe do ciclo de abuso”, declarou William Berger, delegado federal e líder da operação.

Detalhes da operação e prisões

Foto: Reprodução

A força-tarefa mobilizou mais de 20 agências de segurança durante duas semanas, com foco principal na região da Baía de Tampa. Ao todo, oito pessoas foram presas — cinco homens, duas mulheres e um indivíduo não identificado — por crimes como tráfico humano, exploração sexual, posse de narcóticos, negligência infantil e interferência na guarda de menores.

O procurador-geral James Uthmeier, que participou diretamente da coordenação jurídica da operação, foi enfático:

“Se você vitimiza uma criança, vai para a prisão. Ponto final.”

As crianças resgatadas receberam atendimento médico, psicológico e assistência social para garantir o cuidado de longo prazo e prevenir a revitimização.

O que é revitimização

A revitimização ocorre quando uma vítima de violência, após sofrer um ato violento, é submetida a situações ou procedimentos que a levam a reviver o trauma, causando sofrimento adicional. Essa nova experiência de vitimização pode ser causada por instituições, profissionais ou mesmo pela sociedade, e se manifesta através de perguntas invasivas, falta de acolhimento, julgamentos ou outras ações que reavivam a dor da vítima. 

A revitimização não se limita apenas à violência inicial, mas se estende ao processo de busca por justiça e apoio, onde a vítima pode ser novamente exposta a situações dolorosas e constrangedoras. Isso pode ocorrer, por exemplo, durante depoimentos em delegacias, audiências judiciais ou mesmo em conversas com profissionais de saúde que não possuem a sensibilidade necessária para lidar com a situação. 

Contexto alarmante e resposta estadual

A Flórida é um dos estados americanos com maior incidência de tráfico humano, atrás apenas da Califórnia e do Texas. Segundo dados da National Human Trafficking Hotline, mais de 1.830 denúncias foram registradas no estado apenas em 2024, com 1.874 vítimas identificadas, a maioria entre 11 e 17 anos.

O governador Ron DeSantis anunciou medidas adicionais no combate ao crime, incluindo:

  • Investimento de US$ 4,9 milhões na ampliação de abrigos de emergência e equipes de apoio;

  • US$ 900 mil em subsídios ao FDLE para intensificar investigações;

  • Novas leis estaduais que agravam penas para traficantes e obrigam treinamentos sobre tráfico humano a funcionários de hotéis, escolas e profissionais de saúde.

“A Flórida nunca será um lugar seguro para traficantes. Vamos lutar por aqueles que não podem lutar por si mesmos”, reforçou o comissário do FDLE, Mark Glass.

Brasil também enfrenta cenário crítico

Enquanto os EUA avançam com operações como a “Dragon Eye”, o Brasil ocupa a quinta posição mundial em denúncias de páginas com conteúdo de abuso sexual infantil online, segundo relatório da rede internacional InHope. O salto preocupante — da 27ª colocação em 2022 para a 5ª em 2024 — reforça a necessidade de políticas públicas eficazes no combate à pedofilia e exploração infantil.

Trabalho de crianças e adolescentes nas ruas é uma das atividades mais perversas e que facilita ação de criminosos do tráfico humano – Foto: Reprodução

Segundo a SaferNet, foram 972 denúncias envolvendo suspeitas de tráfico humano na internet no último ano — alta de 16,6% em relação a 2023. Após triagem, 423 links foram encaminhados ao Ministério Público Federal, aumento de 17,5%.

O crime passou a ser monitorado pela SaferNet em 2010 e envolve, principalmente, o uso de redes sociais e sites falsos para o aliciamento de mulheres, inclusive menores de idade, com fins de exploração sexual. Desde então, a organização já recebeu mais de 18 mil denúncias sobre tráfico humano digital.

Durante o lançamento, o presidente da SaferNet, Thiago Tavares, destacou a importância da cooperação internacional e o papel da ONU no enfrentamento ao crime. Ele também ressaltou a relevância da decisão recente do STF que responsabiliza plataformas digitais pela moderação de conteúdo criminoso, como o tráfico de pessoas.

Para denúncias anônimas de crimes virtuais contra os direitos humanos, acesse: www.denuncie.org.br

A ONG brasileira SaferNet, em parceria com o Ministério Público Federal, recebeu e encaminhou mais de 50 mil denúncias em 2024. Para denunciar crimes desse tipo no Brasil, basta ligar para o Disque 100.