A reação de influenciadores digitais à decisão do governo federal de proibir as apostas de quota fixa no Brasil provocou uma onda de comentários, memes e relatos de usuários nas redes sociais neste sábado (26).
Nomes como Jon Vlogs, Luqueta, Davi Brito e Rico Melquíades, que em diferentes momentos tiveram relação comercial com empresas de apostas, publicaram manifestações contrárias à medida. Os vídeos e declarações foram reunidos em publicações que rapidamente passaram a circular no X, antigo Twitter.
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Parte dos internautas ironizou a perda de uma importante fonte de publicidade para os criadores de conteúdo. Outros usuários, porém, aproveitaram a discussão para relatar experiências pessoais relacionadas ao endividamento e ao comportamento compulsivo associado às apostas.
JonVlogs, um dos principais divulgadores de casas de apostas, ficou visivelmente abalado após a decisão do governo de proibir as bets no Brasil. O influenciador teria se emocionado ao perceber que agora precisará trabalhar para manter os custos de uma vida de luxo que, segundo críticas nas redes sociais, era em grande parte patrocinada pelo dinheiro das casas de apostas.
Internauta comenta no X: “a melhor parte desse rolê das bets é ver o desespero de influenciador que não tem conteúdo algum, se sustentava de aplicar golpe e agora não vai conseguir publi nenhuma que preste, pq marca grande nenhuma vai querer se vincular a trambiqueiro.”

Reprodução do X
O que mudou com a decisão do governo
A mudança ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editar, na sexta-feira (25), a Medida Provisória nº 1.394/2026.
O texto proíbe, em território nacional, a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das chamadas apostas de quota fixa, tanto em plataformas físicas quanto virtuais. A medida alcança as apostas esportivas e os jogos on-line e também se aplica às autorizações concedidas por estados e pelo Distrito Federal.
A MP tem força de lei desde a publicação, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. De acordo com o acompanhamento oficial do Planalto, a medida está em tramitação.
O governo estabeleceu ainda um cronograma para o encerramento das operações. Segundo o Ministério da Justiça, sites e aplicativos de apostas deverão ser bloqueados a partir da 0h de 6 de outubro.
Publicidade também entra na proibição
A medida atinge diretamente o mercado de publicidade digital, incluindo campanhas realizadas por influenciadores.
O governo determinou que novas contratações de publicidade, patrocínio e promoção comercial de empresas do setor sejam interrompidas imediatamente. Contratos publicitários já existentes podem ter sua veiculação mantida até 5 de outubro, conforme as regras divulgadas pelo Ministério da Justiça.
A mudança afeta um mercado que, até poucos dias atrás, era regulamentado pelo governo federal. Desde janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda podiam operar nacionalmente, e os sites autorizados utilizavam o domínio “.bet.br”.
Influenciadores questionam a medida
Nas redes sociais, alguns influenciadores que trabalhavam com publicidade de bets argumentaram que a proibição poderia favorecer plataformas ilegais.
Davi Brito, por exemplo, questionou publicamente se a retirada das empresas regulamentadas faria os brasileiros deixarem de apostar ou migrar para sites clandestinos. Ele também mencionou a necessidade de tratamento para pessoas com problemas relacionados ao jogo e defendeu mecanismos de bloqueio e autoexclusão.
Outros criadores argumentaram que a atividade deveria continuar dentro de um mercado regulamentado, com mecanismos de controle e proteção aos apostadores.
O debate, portanto, não se restringe à perda de contratos publicitários. A discussão envolve também o destino dos apostadores que já utilizam as plataformas e a possibilidade de migração para serviços que operam fora da regulamentação brasileira.
Proibição encerra mercado que havia sido regulamentado recentemente
A decisão representa uma mudança significativa na política adotada pelo Brasil nos últimos anos.
As apostas de quota fixa foram legalizadas no âmbito das apostas esportivas pela Lei nº 13.756/2018 e posteriormente regulamentadas de forma mais ampla pela Lei nº 14.790/2023, que estabeleceu regras para apostas esportivas e jogos on-line.
Em 2024 e 2025, o Ministério da Fazenda criou uma estrutura específica para autorizar, fiscalizar e monitorar as empresas do setor. O Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP) foi desenvolvido justamente para acompanhar as operações e auxiliar na fiscalização.
Em julho de 2026, inclusive, o governo havia publicado novas regras para publicidade de apostas, proibindo anúncios direcionados a crianças e adolescentes e estabelecendo mecanismos de verificação dos anunciantes.
Pouco mais de dois meses depois, o governo adotou uma medida muito mais abrangente, determinando o encerramento do mercado.
Renan Santos critica fim das bets e questiona decisão do governo Lula
Candidato do Missão afirma apoiar a proibição das apostas on-line, mas diz que debate deveria ocorrer após as eleições e envolver a sociedade
O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) criticou neste sábado (26) a medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que prevê o fim das apostas de quota fixa, conhecidas como bets, no Brasil.
Em vídeo encaminhado a jornalistas, Renan classificou a decisão como uma “manobra eleitoreira” e afirmou acreditar que a medida não deverá prosperar no Congresso Nacional. A declaração foi divulgada pela Agência Estado e repercutida por veículos de imprensa.
Segundo o candidato, a discussão sobre a proibição das plataformas deveria acontecer após as eleições e contar com uma participação mais ampla da sociedade.
Apesar das críticas ao momento escolhido pelo governo, Renan declarou ser favorável à proibição das apostas on-line. Ele também defendeu a criação de políticas voltadas ao combate à dependência em jogos e afirmou que o problema precisa ser enfrentado para além do encerramento das plataformas.
MP entrou em vigor nesta semana
A Medida Provisória 1.394/2026 foi publicada em 25 de setembro e estabelece a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa em território nacional.
O texto também prevê mecanismos de fiscalização contra operações e publicidade consideradas ilegais e cria um comitê interinstitucional para acompanhar o cumprimento das novas regras.
Apesar de já produzir efeitos, a medida provisória ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Portanto, o futuro da proibição ainda depende da tramitação legislativa.
Candidato prevê rejeição da medida
Ao comentar o futuro da MP, Renan Santos afirmou que acredita que ela perderá a validade durante a tramitação no Congresso.
A afirmação, porém, representa uma avaliação política do candidato e não uma decisão já tomada pelo Legislativo. A medida continua em vigor enquanto segue o processo previsto para medidas provisórias.
O Congresso poderá analisar o texto, promover alterações ou rejeitá-lo, dentro das regras constitucionais aplicáveis às MPs.
Debate sobre vício e endividamento
A discussão sobre o fim das bets ocorre em meio ao aumento das preocupações relacionadas ao impacto das apostas sobre as finanças das famílias e sobre pessoas que desenvolvem comportamento compulsivo.
Renan afirmou que, além de discutir a proibição das plataformas, é necessário criar mecanismos capazes de enfrentar a dependência em apostas.
O tema também ganhou espaço nas últimas semanas devido aos relatos de pessoas que afirmam ter acumulado dívidas e enfrentado problemas familiares após o uso frequente das plataformas.
Publicidade também está no centro da discussão
A eventual proibição afeta ainda um mercado que cresceu rapidamente nos últimos anos: o de publicidade de apostas.
Influenciadores digitais, clubes de futebol, atletas e outros produtores de conteúdo passaram a realizar campanhas para empresas do setor, transformando as bets em uma importante fonte de publicidade na internet e no esporte.
Com a nova medida, a publicidade relacionada às apostas também passa a ser alvo das restrições estabelecidas pelo governo.
O que acontece agora
O futuro das bets dependerá da tramitação da MP no Congresso Nacional.
Enquanto o Legislativo não concluir a análise, a medida permanece produzindo efeitos. Durante o processo, deputados e senadores poderão discutir o texto e decidir sobre sua manutenção, alteração ou rejeição.
A declaração de Renan Santos acrescenta mais um capítulo ao debate eleitoral sobre as apostas on-line. O candidato diz concordar com a proibição, mas questiona o momento escolhido pelo governo e defende que o assunto seja discutido de forma mais ampla após as eleições.
A discussão deve continuar envolvendo governo, Congresso, empresas do setor, especialistas, entidades de defesa do consumidor e candidatos que disputam a Presidência da República em 2026.

