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PF deflagra Operação Combustão e bloqueia mais de R$ 17 milhões em investigação sobre eleições de 2022 no Amazonas

Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Manaus; investigação apura possível desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular envolvendo contratos da AADESAM.


A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (24), em Manaus, a Operação Combustão, que investiga a possível utilização irregular de recursos relacionados a contratos da Associação Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (AADESAM) no contexto das eleições de 2022.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Eleitoral. Por determinação judicial, também houve o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 17 milhões. Segundo a PF, a medida tem como objetivo assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos e garantir a efetividade de uma possível perda de bens relacionados às atividades investigadas.

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Foto: Divulgação/PF

Investigação mira possível circulação de recursos

De acordo com a Polícia Federal, a investigação identificou indícios de um possível esquema envolvendo recursos provenientes de contratos firmados pela AADESAM, com posterior circulação de valores entre pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos fatos apurados.

A corporação informou que a apuração envolve possíveis crimes de desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e financiamento eleitoral irregular. Conforme o avanço das diligências, também poderão ser investigadas outras condutas, entre elas organização criminosa, peculato, corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral.

A PF ressalta que a responsabilidade de cada investigado ainda precisa ser individualizada. A operação está em andamento e busca reunir documentos, equipamentos e outros elementos que possam esclarecer a origem e o destino dos valores analisados.

Nome de candidato a deputado federal aparece na investigação

Documentos relacionados à operação citam José Nilmar Alves de Oliveira, que disputou o cargo de deputado federal pelo PL nas eleições de 2022. Ele também aparece relacionado à AADESAM por ter exercido a presidência da entidade durante parte do período investigado.

Registros oficiais do Governo do Amazonas mostram José Nilmar como presidente da AADESAM no início de 2022. Em março daquele ano, ele deixou o cargo no processo de desincompatibilização eleitoral, e Erick Hudson da Silva Alves, então diretor administrativo-financeiro da agência, foi designado para assumir a presidência.

Foto: Reprodução

Documentos públicos também registram José Nilmar como ordenador de despesas da AADESAM entre 1º de janeiro e 11 de abril de 2022. Em julgamento realizado posteriormente, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) considerou regular com ressalvas a prestação de contas da agência referente ao exercício de 2022 e deu quitação a José Nilmar quanto ao período de sua responsabilidade. Esse julgamento administrativo é distinto da investigação criminal e eleitoral atualmente conduzida pela PF.

Movimentação de R$ 831 mil é analisada

Segundo documentos da investigação obtidos pela imprensa, a PF também analisa movimentações financeiras relacionadas a pessoas e empresas que aparecem no contexto da campanha de 2022.

Entre os nomes mencionados estão Valber José Prado Marques, associado às empresas V J Prado Marques e Comércio de Materiais e Serviços de Construção, e Thiago Dias Costa, identificado no documento como administrador financeiro da campanha de José Nilmar.

Uma das movimentações analisadas soma R$ 831.147, registrada entre 30 de maio e 28 de novembro de 2022. O valor integra a análise financeira realizada pelos investigadores e, por si só, não representa uma conclusão sobre a existência de crime ou sobre a responsabilidade dos envolvidos.

Foto: reprodução

Investigação é referente a 2022, não às eleições de 2026

Embora a Operação Combustão tenha sido deflagrada durante o atual ciclo eleitoral, a Polícia Federal afirma expressamente que a investigação está relacionada a fatos ocorridos entre 2021 e 2022 e às eleições de 2022.

Assim, a operação não tem como objeto, segundo as informações oficiais divulgadas até o momento, o processo eleitoral de 2026. A nota da PF também não atribui a investigação à atual administração estadual.

AADESAM já havia sido alvo de outra operação em setembro

A AADESAM também foi alvo de uma operação da Polícia Federal em 3 de setembro de 2026, em investigação distinta relacionada a possíveis irregularidades envolvendo o processo eleitoral de 2026.

Segundo informações divulgadas posteriormente pela imprensa, naquela ocasião foram apreendidos equipamentos e documentos na sede da entidade. Até o momento, porém, não há informação oficial de que aquela investigação esteja vinculada à Operação Combustão.

Investigação continua

A Polícia Federal informou que as diligências continuam com o objetivo de esclarecer a origem dos recursos, a movimentação dos valores e a eventual participação de pessoas físicas e jurídicas no esquema investigado.

Os investigados poderão responder, conforme a responsabilidade que eventualmente venha a ser comprovada, por crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, entre outros que possam ser identificados durante a apuração.

Até o momento, a operação representa uma investigação em curso. A existência de mandados de busca, bloqueios patrimoniais ou a inclusão de nomes em documentos policiais não equivale, por si só, a uma condenação ou comprovação definitiva de prática criminosa.

Fontes principais: Polícia Federal, Diário Oficial do Estado do Amazonas, Tribunal de Contas do Amazonas e veículos de imprensa locais consultados para cruzamento das informações. A nota oficial da PF é a principal referência para os objetivos, número de mandados, bloqueio patrimonial e crimes investigados.