Justiça

Investigação PF

Mansões de Daniel Vorcaro revelam cofres, adega subterrânea e estrutura de lazer; investigação avança

Imóveis ligados ao ex-banqueiro em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte foram alvo de buscas da Polícia Federal; depoimento previsto para esta quinta-feira (24) foi novamente adiado.


Foto: Divulgação

Registros produzidos pela Polícia Federal durante buscas em imóveis ligados a Daniel Vorcaro, fundador e ex-controlador do Banco Master, revelaram detalhes da estrutura de três propriedades de alto padrão localizadas em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

As imagens e informações obtidas durante as diligências mostram ambientes com adega subterrânea, cofres, salas destinadas a reuniões e recepções, obras de arte e amplas áreas de lazer.

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Os imóveis foram alvo de buscas no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. Além de procurar documentos e equipamentos que pudessem contribuir para a apuração, os agentes registraram os bens e os ambientes encontrados nas propriedades.

Cada uma das residências tinha uma finalidade diferente. A casa de São Paulo concentrava objetos pessoais do banqueiro. Em Brasília, o imóvel era utilizado principalmente para reuniões e recepções. Já a propriedade de Belo Horizonte apresentava uma estrutura voltada ao lazer.

Itens encontrados pela Polícia Federal durante as buscas na casa de Vorcaro – Foto: Divulgação/Polícia Federal 

Casa em São Paulo tinha adega subterrânea e três cofres

A residência localizada no Jardim América, uma das áreas mais valorizadas da capital paulista, foi a que apresentou maior quantidade de objetos relacionados ao uso pessoal de Vorcaro.

Durante as buscas, os policiais encontraram roupas, joias, relógios de luxo, dinheiro em espécie e outros pertences.

Um dos principais destaques foi uma adega subterrânea com centenas de garrafas de vinho. A quantidade de bebidas era tão grande que, segundo os registros da operação, os agentes não retiraram todo o material do local naquele momento para realizar a catalogação.

Adega da casa de Daniel Vorcaro – Foto: Divulgação/Polícia Federal

Adega da casa de Daniel Vorcaro – Foto: Divulgação/Polícia Federal

A propriedade também possuía três cofres.

Em um deles, os policiais encontraram dinheiro em espécie. Outro cofre precisou ser aberto à força porque os advogados que acompanhavam a operação não tinham a senha para acessá-lo.

Entre os objetos registrados pela PF estavam relógios e joias de marcas de luxo, incluindo Rolex, Audemars Piguet e Richard Mille.

Os bens passaram a integrar o conjunto de materiais analisados no âmbito das investigações.

Garrafas de vinho encontradas pela PF na residência de Vorcaro em São Paulo – Foto: Divulgação/Polícia Federal

Foto: Divulgação/Polícia Federal

Mansão em Brasília era usada para reuniões

O imóvel localizado no Lago Sul, em Brasília, apresentava características diferentes da residência paulista.

Segundo os registros da operação, havia poucos objetos pessoais no local. A casa era utilizada principalmente para reuniões, encontros e recepções.

A propriedade possui vista para o Lago Paranoá e para a Ponte JK e já havia chamado atenção anteriormente por sua localização e estrutura.

Durante as buscas, os agentes encontraram obras de arte e outros objetos que passaram a fazer parte do material submetido à análise dos investigadores.

Mansão de Brasília  – Foto: Divulgação

Imóvel em Belo Horizonte ocupava três terrenos

Em Belo Horizonte, a propriedade ligada a Vorcaro está localizada no bairro Belvedere e ocupa três terrenos contíguos.

A estrutura foi planejada principalmente para lazer e convivência. O imóvel possui academia, spa, bares e quadras.

Apesar do tamanho da residência, os policiais encontraram poucos objetos pessoais.

Uma governanta ouvida durante a operação relatou aos agentes que Vorcaro utilizava a casa principalmente durante períodos de descanso e lazer.

A propriedade também entrou em uma discussão judicial relacionada à sua destinação. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o ministro André Mendonça determinou a venda antecipada do imóvel, avaliado em cerca de R$ 30 milhões.

A decisão ocorreu depois de a Polícia Federal manifestar interesse em utilizar a propriedade como espaço de trabalho.

Mansão de Belo Horizonte  – Foto: Divulgação

Investigação sobre o Banco Master continua

As buscas nos imóveis fazem parte do conjunto de diligências relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master e operações realizadas durante a gestão de Vorcaro.

O caso ganhou novos desdobramentos após a análise do conteúdo do celular do ex-banqueiro.

Em setembro, a Polícia Federal informou que encaminhou aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes cópias dos dados extraídos do aparelho.

A PF afirmou que o celular original e os dados obtidos permanecem sob custódia da instituição, com procedimentos de preservação da cadeia de custódia.

O Supremo Tribunal Federal também tornou públicos documentos relacionados ao caso, incluindo milhares de páginas da investigação.

A divulgação permitiu que novos detalhes sobre as apurações envolvendo o Banco Master viessem a público.

Depoimento de Vorcaro é novamente adiado

Um dos principais desdobramentos desta quinta-feira (24) foi o novo adiamento do depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal.

A oitiva estava prevista para ocorrer nesta quinta, mas foi retirada da agenda depois que a defesa solicitou acesso integral aos documentos reunidos durante a investigação.

Os advogados pediram prazo para analisar o material antes que o ex-banqueiro preste novos esclarecimentos.

Até o momento, uma nova data para o depoimento não havia sido anunciada.

Vorcaro permanece preso no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.

Celular do ex-banqueiro é peça importante da investigação

O conteúdo armazenado no celular de Vorcaro passou a ser uma das principais fontes de informação analisadas pelos investigadores.

Mensagens identificadas no aparelho deram origem a novas reportagens sobre relações financeiras e contatos mantidos pelo ex-banqueiro com empresários, políticos, advogados e pessoas ligadas a instituições públicas.

Nesta quinta-feira, reportagem da Folha de S.Paulo informou que mensagens apontam pagamentos de R$ 120 mil feitos pelo Banco Master a uma empresa ligada ao irmão de um funcionário do Banco Central.

O empresário citado afirmou que os valores estavam relacionados a serviços de consultoria na área de mineração. O servidor do Banco Central mencionado, por sua vez, declarou não participar de decisões relacionadas ao Banco Master.

As informações fazem parte de uma investigação em andamento e os conteúdos identificados precisam ser analisados dentro do contexto das apurações, além das manifestações dos envolvidos.

PF mantém dados originais sob custódia

A Polícia Federal afirmou que o material original extraído do celular permanece sob custódia da instituição.

A medida é importante para garantir a preservação da chamada cadeia de custódia, conjunto de procedimentos destinado a documentar a coleta, armazenamento, tratamento e disponibilização de evidências utilizadas em uma investigação.

A PF informou que cópias do conteúdo foram encaminhadas às autoridades responsáveis pelo caso, enquanto os dados originais permanecem preservados.

STF acompanha o caso

O caso também passou a ser acompanhado diretamente pelo Supremo Tribunal Federal.

Documentos relacionados às investigações foram encaminhados à Corte, e ministros receberam acesso ao conteúdo extraído do celular de Vorcaro.

O STF também disponibilizou documentos públicos relacionados ao processo, permitindo o acompanhamento de parte das diligências realizadas no caso.

O que acontece agora

Com o novo adiamento do depoimento, a próxima etapa deverá envolver a definição de uma nova data para que Daniel Vorcaro seja ouvido pela Polícia Federal.

Paralelamente, investigadores continuam analisando documentos, mensagens, registros financeiros e outros materiais recolhidos durante as operações.

A análise do celular pode gerar novas linhas de investigação, especialmente a partir da identificação de contatos, pagamentos e negociações mencionados nas mensagens.

O caso ainda está em andamento e eventuais responsabilidades criminais dependerão da conclusão das investigações e das decisões judiciais.

As informações divulgadas até o momento representam elementos de uma investigação em curso. A existência de mensagens, pagamentos ou outros registros não significa, por si só, comprovação de crime ou responsabilidade penal dos envolvidos.