Justiça

Fraudes do INSS

Depoimento à PF cita participação de Lulinha em agendas empresariais com investigado no caso das fraudes do INSS

Testemunha confirmou viagens e visitas técnicas em Portugal ao lado de empresário apontado como figura central das investigações; defesa nega qualquer envolvimento em irregularidades.


BRASÍLIA — Um depoimento prestado à Polícia Federal (PF) acrescentou novos elementos às investigações relacionadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado pelos investigadores como personagem central do esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas.

A publicitária Danielle Miranda Fonteles confirmou aos investigadores que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participou de viagens e visitas técnicas em Portugal relacionadas a um projeto empresarial conduzido por Antunes no setor de cannabis medicinal.

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Segundo informações divulgadas inicialmente pela revista Veja e posteriormente confirmadas por outros veículos de imprensa, Danielle afirmou que acompanhou parte das agendas empresariais e que Lulinha esteve presente em visitas a instalações industriais avaliadas para futuros investimentos. De acordo com o depoimento, entretanto, ele não teria desempenhado função operacional ou participado diretamente das negociações do empreendimento.

 

Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, investigado pela Polícia Federal – Foto: Reprodução

 

Projeto empresarial em Portugal

Conforme o relato prestado à Polícia Federal, as visitas ocorreram durante tratativas para implantação de uma unidade voltada à produção de derivados medicinais da cannabis em território português.

Documentos analisados pelos investigadores indicam que o projeto envolvia negociações para aquisição de uma estrutura industrial avaliada em milhões de euros. A operação teria sido interrompida após o avanço das investigações que resultaram na prisão de Antunes.

A testemunha informou ainda que atuava como consultora de negócios para empresários brasileiros interessados em investir na Europa e que sua relação profissional com o investigado estava ligada à estruturação de projetos empresariais. Ela negou possuir sociedade com o empresário e afirmou que recebia remuneração pelos serviços prestados.

Defesa afasta vínculo com investigações

Em nota, a defesa de Lulinha sustenta que a viagem a Portugal era de conhecimento público e ocorreu antes do surgimento das suspeitas envolvendo o empresário.

Os advogados afirmam que o filho do presidente não possui participação societária nos negócios investigados, não recebeu recursos oriundos das empresas de Antunes e jamais integrou qualquer estrutura relacionada às fraudes apuradas pelas autoridades.

Segundo a defesa, o próprio depoimento da testemunha reforçaria que Lulinha não participou das negociações nem exerceu papel decisório nos empreendimentos analisados durante a viagem.

Relação é analisada pela Polícia Federal

Embora não seja formalmente investigado no inquérito principal, o nome de Lulinha aparece em registros de viagens, depoimentos e documentos que passaram a integrar o material analisado pela Polícia Federal.

Uma das linhas de apuração busca esclarecer a natureza da relação entre o empresário investigado e pessoas de seu círculo de convivência, incluindo contatos mantidos em viagens internacionais e encontros realizados no Brasil.

As investigações também examinam pagamentos, movimentações financeiras e relações empresariais atribuídas a pessoas próximas ao empresário, dentro do contexto mais amplo da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios previdenciários entre 2019 e 2024.

Fraudes no INSS seguem sob investigação

Considerada uma das maiores apurações recentes envolvendo recursos da Previdência Social, a investigação conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) apura suspeitas de descontos associativos irregulares realizados em aposentadorias e pensões de milhões de beneficiários.

As autoridades buscam identificar o fluxo dos recursos desviados, eventuais beneficiários e possíveis mecanismos de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

Até o momento, a Polícia Federal não divulgou elementos que indiquem participação direta de Fábio Luís Lula da Silva nos supostos desvios investigados. O caso segue em fase de instrução e análise de provas pelas autoridades competentes.

Pelo princípio constitucional da presunção de inocência, todos os citados nas investigações são considerados inocentes até eventual condenação definitiva pela Justiça.