Justiça

Caso Banco Master

Delação de ex-dono da Reag pode revelar caminho de dinheiro e supostas propinas no caso Banco Master

João Carlos Mansur teria detalhado à PGR como fundos de investimento foram usados para movimentar recursos atribuídos a Daniel Vorcaro; acordo envolve R$ 40 milhões e aguarda homologação no STF.


O fundador da Reag, João Carlos Mansur -Foto:  Gabriela Biló/Folhapress

O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um novo capítulo que pode ampliar o cerco contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em colaboração premiada negociada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos, teria apresentado informações sobre operações financeiras que, segundo as investigações, poderiam ter sido utilizadas para ocultar pagamentos de propina e movimentar recursos relacionados ao grupo de Vorcaro.

O acordo foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, e aguarda homologação judicial.

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Segundo informações relacionadas à investigação, Mansur teria detalhado a participação de fundos administrados pela Reag, empresas e pessoas que supostamente atuavam como intermediárias nas operações.

Delação pode ajudar a rastrear dinheiro enviado ao exterior

Um dos pontos considerados mais relevantes da colaboração é a possível identificação do caminho percorrido por recursos que teriam sido enviados para fora do Brasil.

Parte dos valores investigados estaria em empresas offshore e outras estruturas financeiras internacionais. As informações fornecidas pelo colaborador podem auxiliar as autoridades na localização, bloqueio e eventual recuperação desses recursos.

Como parte do acordo, Mansur também teria assumido o compromisso de pagar R$ 40 milhões.

Reag entrou no centro das investigações

A Reag, que chegou a figurar entre as maiores gestoras independentes do país, passou a ser investigada em diferentes frentes.

A empresa foi alvo de apurações relacionadas à Operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração de recursos do crime organizado na economia formal, e também apareceu nas investigações relacionadas ao Banco Master.

Em janeiro de 2026, o Banco Central determinou a liquidação da Reag. Segundo o órgão, a decisão ocorreu em razão do comprometimento da situação econômico-financeira e de graves violações das normas que regulam as instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.

Mansur havia deixado a presidência do Conselho de Administração da companhia em setembro de 2025.

Suspeitas envolvem imóveis e autoridades públicas

As investigações da Polícia Federal também levantaram suspeitas de que estruturas ligadas à Reag teriam sido utilizadas para ocultar pagamentos destinados ao então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Costa é um dos personagens investigados no caso Master e está preso no Distrito Federal.

É importante ressaltar que as acusações fazem parte de investigações em andamento e não representam condenação definitiva dos envolvidos.

Outra delação aumenta pressão sobre Vorcaro

A colaboração de Mansur ganhou ainda mais importância após o avanço de outra delação relacionada ao caso.

Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, também firmou acordo com as autoridades. Ele é apontado como próximo de Vorcaro e teria participado de operações envolvendo transferências financeiras e movimentação de dinheiro em espécie.

O empresário também apareceu nas investigações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar suspeitas relacionadas ao financiamento da produção.

Avião da frota pessoal do ex-banqueiro Daniel Vorcaro estacionado no pátio do aeroporto de Brasília – Foto: Pedro Ladeira/FolhaPress

Delações podem mudar o cenário da investigação

Para os investigadores, os depoimentos de diferentes personagens podem permitir o cruzamento de informações sobre transferências, empresas, contas bancárias e operações realizadas no Brasil e no exterior.

As delações também podem reduzir o espaço de negociação de Vorcaro caso ele volte a tentar um acordo de colaboração com as autoridades.

O ex-banqueiro, entretanto, tem apresentado uma versão diferente dos acontecimentos e afirma ser vítima de perseguição e de medidas tomadas contra o Banco Master.

PF investiga possível esquema bilionário

A investigação do caso Master já alcançou diferentes empresas, empresários e instituições financeiras.

A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas a fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa, enquanto órgãos reguladores investigam possíveis irregularidades no mercado financeiro.

Outra frente envolve a atuação de agentes públicos durante a fiscalização do Banco Master pelo Banco Central.

As autoridades também buscam esclarecer o destino de valores que teriam deixado o Brasil e identificar quais recursos poderão ser recuperados.

CVM também aplicou multa milionária

Além da investigação criminal, Daniel Vorcaro passou a enfrentar processos na esfera administrativa.

Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aplicou uma multa de R$ 20 milhões ao ex-banqueiro em um processo relacionado a supostas irregularidades envolvendo um fundo imobiliário.

O caso faz parte de uma série de procedimentos que ampliaram a pressão regulA defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não teve acesso aos anexos da delação de João Carlos Mansur e, por isso, não poderia comentar especificamente as acusaatória sobre negócios ligados ao antigo grupo Master.

Defesa diz não ter acesso aos anexos

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não teve acesso aos anexos da delação de João Carlos Mansur e, por isso, não poderia comentar especificamente as acusações.

A defesa de Mansur não havia apresentado manifestação pública sobre os detalhes da colaboração.

O acordo ainda depende de homologação judicial. A partir dessa análise, a Justiça poderá definir os efeitos processuais da colaboração e quais informações poderão ser utilizadas formalmente nas investigações.

O caso Banco Master continua em andamento. As acusações mencionadas são objeto de investigação e os envolvidos têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.

 

Fontes consultadas: Folha de S.Paulo, UOL, Agência Brasil/Agência Gov e informações públicas sobre as investigações da Polícia Federal, STF, Banco Central e CVM. As informações foram atualizadas com acontecimentos divulgados até 10 de setembro de 2026.