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Guerra entre EUA e Irã pode encarecer combustível e alimentos no Brasil; veja quando impacto chega ao consumidor

Nova escalada no conflito provocou uma das maiores ondas de ataques à navegação desde o início da guerra e ameaça o fluxo global de energia. Alta do petróleo já pressiona mercados e levou o governo brasileiro a ampliar subsídios ao diesel e reduzir impostos sobre gasolina e etanol.


A escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã já começa a produzir efeitos sobre a economia brasileira. A principal preocupação é o avanço do preço do petróleo, que voltou a superar US$ 100 por barril, aumentando a pressão sobre combustíveis, transporte, alimentos e inflação.

O impacto para o consumidor, porém, pode não aparecer imediatamente. O governo brasileiro anunciou nesta quarta-feira (9) novas medidas para tentar evitar que a alta internacional seja totalmente repassada aos preços domésticos.

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Entre as ações estão a redução de tributos sobre gasolina e etanol e o aumento da subvenção ao diesel. O pacote representa um esforço de aproximadamente R$ 7 bilhões por mês, segundo o governo.

Irã e EUA atacam petroleiros na maior onda de ataques à navegação desde o início da guerra – 9 de setembro de 2026, 00h07 GMT-4  – Foto: REUTERS

Combustíveis são o primeiro ponto de atenção

O diesel é considerado o principal risco para a economia brasileira porque é fundamental para o transporte de cargas.

O governo acrescentou uma subvenção de até R$ 1 por litro de diesel, que se soma a um mecanismo anterior de aproximadamente R$ 1,12. Com isso, o apoio pode chegar a cerca de R$ 2,12 por litro.

Na gasolina, o governo anunciou uma redução de R$ 0,63 por litro nos tributos federais durante 30 dias. Para o etanol hidratado, a redução é de R$ 0,19 por litro.

A Petrobras também anunciou aumento de R$ 0,19 por litro na gasolina vendida às distribuidoras. O impacto imediato nas bombas, entretanto, deverá ser limitado pelas medidas de desoneração anunciadas pelo governo.

Quando o impacto pode chegar ao consumidor?

O efeito depende principalmente de quanto tempo o petróleo permanecer elevado.

Nas próximas horas e dias, os primeiros reflexos aparecem nos mercados financeiros. Petróleo mais caro pode pressionar o dólar e aumentar a volatilidade da Bolsa. Nesta quarta-feira, o dólar operou próximo de R$ 5,10 e o Ibovespa caiu, enquanto ações ligadas ao petróleo foram beneficiadas.

Em algumas semanas, a pressão tende a chegar com mais força aos combustíveis, especialmente ao diesel e ao querosene de aviação.

Em um período de um a três meses, se a crise continuar, o aumento dos custos de transporte pode começar a ser repassado para alimentos e outros produtos.

Em prazo mais longo, a inflação pode permanecer pressionada, dificultando a redução dos juros e afetando o crescimento econômico.

Petróleo mais caro também beneficia o Brasil

Apesar dos riscos, o Brasil possui uma vantagem em relação a países que dependem fortemente da importação de petróleo.

O país é exportador líquido de petróleo. Isso significa que a alta da commodity também aumenta a receita obtida com exportações, royalties e tributos.

O governo estima que a elevação da arrecadação relacionada ao petróleo possa gerar aproximadamente R$ 10 bilhões adicionais por mês, ajudando a compensar parte do custo das medidas destinadas a conter os preços dos combustíveis.

O resultado é contraditório: o Brasil pode ganhar mais com a venda de petróleo ao exterior enquanto enfrenta pressão sobre os preços dos combustíveis no mercado interno.

Frete mais caro pode atingir alimentos

O principal caminho para que a crise internacional chegue ao consumidor é o transporte.

Com diesel mais caro, empresas de transporte podem ter aumento nos custos. Esse gasto pode ser repassado para supermercados, indústrias e demais setores.

A cadeia pode funcionar da seguinte maneira:

petróleo mais caro → diesel mais caro → frete mais caro → produtos mais caros → inflação.

O repasse, entretanto, não é automático. Empresas podem absorver parte do aumento ou reduzir margens antes de reajustar os preços.

Amazonas pode sentir impacto maior na logística

No Amazonas, a preocupação é ainda maior por causa das características logísticas do Estado.

O abastecimento de Manaus e de municípios do interior depende de uma complexa rede de transporte rodoviário e fluvial. Por isso, uma alta persistente do diesel pode aumentar o custo de movimentação de alimentos, materiais de construção, produtos industrializados e outros itens.

No transporte fluvial, o combustível também representa uma parcela importante dos custos das embarcações.

Assim, mesmo que o Brasil se beneficie da valorização do petróleo, o consumidor amazonense pode sentir os efeitos pelo aumento do custo logístico.

O que pode acontecer daqui para frente?

O principal fator a ser acompanhado é a situação do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

Se houver uma redução dos ataques e a circulação de navios for normalizada, os preços podem recuar.

Mas, se o conflito continuar interrompendo o transporte de petróleo durante várias semanas, o impacto sobre combustíveis, fretes e inflação tende a aumentar.

Por enquanto, o governo brasileiro tenta funcionar como um amortecedor do choque internacional. As medidas anunciadas nesta quarta-feira, porém, são temporárias e terão custo fiscal relevante.

Para o consumidor, o diesel é o principal indicador a ser acompanhado nas próximas semanas. Se a guerra persistir e o petróleo permanecer acima de US$ 100, a pressão sobre o custo de vida tende a aumentar gradualmente.