
O empresário e dono da North American Blue Energy Partners, Alejandro, Alejandro Betancourt, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – Foto: Antonio Heredia/Reuters/Abe McNatt/Casa Branca
Alejandro Betancourt López deixou de ser apenas um dos empresários mais controversos da Venezuela para assumir um papel estratégico na nova política energética dos Estados Unidos para o país.
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O bilionário venezuelano está no centro do acordo petrolífero anunciado pelo governo de Donald Trump, que prevê a participação dos Estados Unidos na empresa North American Blue Energy Partners (NABEP), responsável pela exploração de 17 campos de petróleo na Venezuela.
O negócio envolve reservas estimadas em 65 bilhões de barris e prevê investimentos que podem chegar a US$ 100 bilhões para recuperar e ampliar a produção venezuelana.
A dimensão do acordo chamou atenção não apenas pelos valores envolvidos, mas também pelo empresário escolhido para comandar uma das principais operações privadas de petróleo no país.
Betancourt construiu sua fortuna durante os anos do chavismo, período em que empresas ligadas a ele receberam contratos bilionários do governo venezuelano. Mais tarde, porém, o empresário se aproximou de setores da oposição e de autoridades americanas.
Ao longo dos últimos anos, seu nome apareceu em investigações relacionadas a suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro em diferentes países.
Quem é Alejandro Betancourt
Nascido em Caracas, em 1980, Betancourt estudou economia nos Estados Unidos e começou a ganhar notoriedade no mundo empresarial venezuelano no final dos anos 2000.
Sua ascensão ocorreu durante uma grave crise de eletricidade na Venezuela.
Por meio da Derwick Associates, empresa criada com familiares e associados, ele recebeu 12 contratos do governo venezuelano entre 2009 e 2011, destinados à construção e modernização de instalações de geração de energia.
O valor dos contratos chegou a aproximadamente US$ 5 bilhões.
A rápida ascensão de Betancourt e de outros jovens empresários levou a imprensa venezuelana a criar o termo “bolichicos”, uma referência a empresários que enriqueceram durante os governos bolivarianos.
As empresas de Betancourt sempre negaram irregularidades e afirmaram que os contratos foram executados.
Como ele chegou ao petróleo
Depois de atuar no setor elétrico, Betancourt passou a investir na indústria petrolífera.
Sua participação em operações no Lago de Maracaibo, uma das principais regiões produtoras da Venezuela, permitiu que seus negócios avançassem para o setor considerado estratégico para a economia do país.
A NABEP afirma que conseguiu elevar sua produção de aproximadamente 18 mil barris por dia para mais de 200 mil barris diários após investimentos de cerca de US$ 1 bilhão.
Esse histórico de aumento de produção é um dos principais argumentos utilizados pelo governo Trump para justificar a escolha do empresário como parceiro.
Acordo prevê participação de 35% dos Estados Unidos
Um dos pontos mais relevantes do acordo é a participação direta de Washington na empresa responsável pelas operações.
O governo dos Estados Unidos terá 35% da NABEP, enquanto Betancourt permanecerá como principal controlador privado.
A estrutura também estabelece mecanismos destinados a impedir que a participação americana seja excessivamente diluída caso a empresa emita novas ações para captar recursos.
O acordo prevê ainda direitos preferenciais dos Estados Unidos sobre parte do petróleo produzido.
Segundo o governo americano, a operação não exigirá um desembolso direto de recursos dos contribuintes para a aquisição da participação.
Direitos sobre os campos podem durar 100 anos
Outro aspecto que chama atenção é a duração prevista para os direitos de exploração.
A NABEP recebeu direitos sobre 17 campos petrolíferos por um período de até 100 anos, segundo os termos divulgados pelas autoridades americanas.
Os campos possuem reservas estimadas em aproximadamente 65 bilhões de barris.
A estratégia anunciada por Washington é recuperar a produção venezuelana, ampliar os investimentos e utilizar parte do petróleo para abastecer o mercado americano.
Por que Trump escolheu Betancourt?
A administração Trump aponta principalmente para a experiência operacional do empresário.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que Betancourt já demonstrou capacidade de aumentar a produção de petróleo na Venezuela.
O secretário de Estado, Marco Rubio, também defendeu publicamente a escolha e destacou três fatores: a capacidade de produção, a ausência de acusações formais contra Betancourt nos Estados Unidos e seu histórico de aproximação com setores da oposição venezuelana.
A Casa Branca argumenta que a prioridade é encontrar parceiros capazes de recuperar rapidamente a indústria petrolífera venezuelana.
Empresário foi alvo de investigações internacionais
A trajetória de Betancourt, entretanto, é acompanhada por uma série de controvérsias.
Seu nome apareceu em investigações realizadas nos Estados Unidos, Espanha, Suíça e Andorra relacionadas a negócios envolvendo a Venezuela e a estatal PDVSA.
Em 2025, ele foi detido duas vezes no Reino Unido no contexto de uma investigação suíça sobre suposta lavagem de dinheiro.
Autoridades espanholas também realizaram buscas em uma propriedade pertencente ao empresário.
Betancourt não foi condenado pelas acusações e seu advogado afirma que as investigações foram utilizadas para associar indevidamente diferentes empresários venezuelanos a casos de corrupção.
A aproximação com Washington
A relação de Betancourt com Washington ganhou força depois de seu afastamento do governo de Nicolás Maduro.
O empresário passou a manter contatos com setores da oposição venezuelana e com figuras próximas ao governo americano.
Segundo relatos publicados pela imprensa internacional, ele também teria desempenhado papel de intermediário entre autoridades venezuelanas e representantes dos Estados Unidos.
Essa posição ajudou a transformar Betancourt em um personagem particularmente relevante nas negociações envolvendo o futuro da indústria petrolífera venezuelana.
Um negócio que pode mudar o mercado de petróleo
O acordo coloca a Venezuela novamente no centro da estratégia energética americana.
O país possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua produção caiu drasticamente ao longo das últimas décadas devido à crise econômica, à deterioração da infraestrutura e às sanções internacionais.
A promessa de investimentos de até US$ 100 bilhões pretende reverter parte desse cenário.
Para Washington, o aumento da produção venezuelana representa uma oportunidade de ampliar a oferta de petróleo e fortalecer a segurança energética dos Estados Unidos.
Para Caracas, a expectativa é recuperar receitas e reconstruir uma indústria fundamental para a economia nacional.
No meio dessa disputa está Alejandro Betancourt, empresário que passou dos contratos bilionários durante o chavismo para a posição de parceiro estratégico de Donald Trump.
A transformação resume a complexidade da política venezuelana: um empresário que prosperou durante o governo de Hugo Chávez agora se tornou uma das peças privadas mais importantes da estratégia americana para o petróleo da Venezuela.
