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EUA / Pena de Morte

Christa Pike sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee. Estado suspendeu novas execuções e abriu investigação

Christa Pike, de 50 anos, está em estado crítico após tentativa de execução; governador Bill Lee determinou investigação independente sobre o procedimento.


O governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão das execuções no estado até o fim de 2026 e anunciou uma revisão independente dos protocolos utilizados para aplicação da pena de morte após uma tentativa de execução por injeção letal terminar sem a morte da condenada Christa Pike, de 50 anos.

A tentativa ocorreu na noite de quarta-feira (30), na penitenciária Riverbend Maximum Security Institution, em Nashville. Pike recebeu duas doses do anestésico pentobarbital, mas permaneceu viva. Ela foi posteriormente retirada da unidade prisional e encaminhada a um hospital.

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Segundo informações divulgadas pelos advogados da condenada em 2 de outubro, Pike permanece inconsciente e sob ventilação mecânica, em estado crítico. A defesa afirma que os acessos intravenosos não teriam sido posicionados corretamente e que o medicamento pode ter sido aplicado nos tecidos, em vez de entrar adequadamente na corrente sanguínea. O relato ainda será analisado no âmbito da investigação determinada pelo governo estadual.

O caso provocou uma nova revisão dos procedimentos de execução do Tennessee. Em comunicado divulgado após a tentativa, o Departamento de Correção do estado afirmou que a equipe responsável seguiu todas as etapas do protocolo de execução estabelecido e aprovado pelo gabinete do procurador-geral. O órgão também informou que Pike foi levada para uma unidade médica externa.

Christa Pike, mulher que sobreviveu a duas injeções letais no Tennessee  – Foto: Knoxville News Sentinel/USA Today Network/Imagn Images/CNN

Governador anuncia investigação

Bill Lee afirmou estar profundamente decepcionado com o ocorrido e determinou uma investigação independente para identificar o que aconteceu durante o procedimento.

O governador declarou que, segundo as informações disponíveis inicialmente, o Departamento de Correção havia seguido o protocolo aprovado. Justamente por isso, segundo Lee, será necessário investigar por que o procedimento não produziu o resultado previsto.

A suspensão também afeta outra execução que estava programada para ocorrer ainda em 2026. O governo estadual decidiu interromper temporariamente a realização de novas execuções enquanto a revisão dos procedimentos estiver em andamento.

Segunda tentativa de execução malsucedida no Tennessee em 2026

O episódio envolvendo Pike não é o primeiro problema enfrentado pelo Tennessee neste ano.

Em maio, uma tentativa de executar Tony Carruthers também foi interrompida depois que os responsáveis não conseguiram estabelecer um acesso venoso considerado adequado para a aplicação da injeção letal. Segundo informações divulgadas pela imprensa americana, o episódio de setembro ocorreu apenas alguns meses depois.

A sequência de incidentes colocou novamente sob escrutínio os procedimentos adotados pelo Tennessee para cumprir sentenças de morte. A Associated Press informou que o estado já havia enfrentado problemas relacionados à execução da pena capital e que, desde 2022, passou por outras revisões de seus protocolos.

Suprema Corte havia autorizado o prosseguimento da execução

A execução de Pike chegou a ser questionada judicialmente até os últimos dias antes do procedimento.

Em 29 de setembro, a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou o pedido da defesa para suspender a execução. O processo oficial registra que o pedido de suspensão da sentença de morte foi apresentado ao juiz Brett Kavanaugh e posteriormente levado ao plenário da Corte, que negou a medida.

A execução estava marcada para 30 de setembro, às 10h, no horário local, conforme documentos oficiais do Departamento de Correção do Tennessee.

Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos

Christa Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em Knoxville, em 1995. Pike tinha 18 anos na época do crime.

Segundo os registros do caso, Pike, seu então namorado Tadaryl Shipp e outra pessoa atraíram Slemmer para uma área de mata. Pike e Shipp posteriormente confessaram participação no crime e foram condenados por homicídio em primeiro grau.

A execução de Pike teria sido histórica por outro motivo: ela seria a primeira mulher executada pelo estado do Tennessee em aproximadamente dois séculos. A última execução de uma mulher no estado havia ocorrido no século XIX.

Defesa havia questionado condições de saúde

Antes da execução, os advogados de Pike já haviam apresentado argumentos relacionados às condições médicas da condenada e à sua capacidade de suportar o procedimento de injeção letal.

Documentos judiciais mostram que a defesa também apresentou argumentos relacionados ao histórico de trauma e abuso sofrido por Pike durante a infância, além de questões relacionadas à saúde mental. Organizações e especialistas na área de trauma e violência sexual chegaram a apresentar manifestação no processo que tramitou na Suprema Corte.

Os documentos judiciais também mostram que a defesa havia questionado aspectos relacionados à equipe responsável pela execução, incluindo qualificação, treinamento e experiência dos profissionais envolvidos na obtenção do acesso intravenoso.

O que aconteceu durante a execução

Relatos de testemunhas e informações apresentadas posteriormente pela defesa indicam que o procedimento não transcorreu como previsto.

Segundo a Associated Press, Pike permaneceu consciente durante parte do procedimento e apresentou sinais de que continuava respirando mesmo após a administração dos medicamentos. A execução acabou sendo interrompida e ela foi levada para atendimento médico.

Os advogados afirmam agora que ela sofreu lesões nos braços, incluindo inchaço, queimaduras e formação de bolhas, que seriam compatíveis, segundo a defesa, com a aplicação inadequada do medicamento.

A Reuters informou que os advogados atribuíram o problema à dificuldade de estabelecer acesso intravenoso, mencionando também condições médicas preexistentes de Pike. Essas informações são provenientes da defesa e fazem parte das alegações que deverão ser examinadas durante a investigação.

Estado mantém posição de que protocolo foi seguido

Apesar das alegações da defesa, o Departamento de Correção do Tennessee sustenta que a equipe cumpriu o protocolo estabelecido pelo estado.

Em comunicado oficial, o órgão afirmou que o produto químico previsto no procedimento tem apresentado eficácia consistente e que o protocolo não autorizava procedimentos adicionais além daqueles realizados naquela noite.

A divergência entre o relato oficial e as alegações da defesa deverá ser um dos pontos centrais da investigação independente anunciada pelo governador.

Caso reacende debate sobre pena de morte nos Estados Unidos

O episódio também volta a colocar sob discussão a utilização da injeção letal nos Estados Unidos.

O Tennessee está entre os estados americanos que mantêm a pena de morte. O caso de Pike chama atenção não apenas pelo fracasso da execução, mas também porque ocorreu após uma série de questionamentos judiciais sobre os procedimentos adotados pelo estado.

A situação também ganhou dimensão nacional porque Pike é uma das poucas mulheres atualmente condenadas à morte nos Estados Unidos e porque o crime pelo qual foi condenada ocorreu quando ela tinha 18 anos.

Por enquanto, o futuro da sentença permanece ligado aos desdobramentos judiciais e à investigação ordenada pelo governo do Tennessee. A suspensão das execuções anunciada por Bill Lee impede novos procedimentos até o fim de 2026, enquanto as autoridades tentam esclarecer por que duas doses do medicamento não produziram a morte prevista.

O caso deverá continuar sendo acompanhado pelos tribunais, pela defesa de Pike e pelas autoridades estaduais, que terão de esclarecer as circunstâncias da execução malsucedida e avaliar se os protocolos atuais precisam ser modificados.

Fontes consultadas: registros oficiais da Suprema Corte dos EUA e do Departamento de Correção do Tennessee, além de informações da Reuters e Associated Press.