
Juliana Brasil Santos — CRM 10771-AM, formada em 2019 – Foto: Reprodução
Manaus foi tomada pela dor e indignação com a morte do pequeno Benício Xavier de Freitas, de apenas 6 anos, que faleceu após receber atendimento no Hospital Santa Júlia. Segundo relato da família, o menino deu entrada com sintomas de laringite — tosse seca e suspeita de quadro respiratório — e teve indicada tratamento que incluía lavagem nasal, soro, xarope e — de forma polêmica — três doses de adrenalina ministradas por via intravenosa.
De acordo com os pais, a piora do garoto foi quase imediata. Após receber a primeira dose de adrenalina, ele apresentou sinais de intoxicação — alterações de cor da pele, sofrimento visível e, segundo o pai, “o coração ardendo”. Ele sofreu seis paradas cardiorrespiratórias antes de morrer na madrugada de domingo, mesmo após ser entubado e encaminhado à UTI.
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As consequências do caso foram imediatas: a unidade hospitalar afastou preventivamente a médica responsável pelo atendimento e a técnica de enfermagem que aplicou a medicação. O Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) instaurou inquérito para apurar possível homicídio doloso qualificado, motivado por “dolo eventual” — ou seja, quando há assunção do risco de provocar o resultado, mesmo sem intenção direta.
Além da investigação criminal, o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) abriu procedimento ético profissional para apurar se houve negligência ou imperícia médica no atendimento. A família considera o caso como grave falha do sistema de saúde e clama por Justiça. “Queremos respostas, e que ninguém mais passe por esse horror”, afirmou o pai, abalado.
Mobilização por justiça
Em meio à dor, a memória de Benício se transformou em luta. Para cobrar investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos, familiares e amigos convocaram uma manifestação para hoje, segunda-feira (1º de dezembro de 2025), às 10h, em frente à sede do CREMAM, localizada na Avenida Senador Raimundo Parente, bairro Alvorada, em Manaus. Segundo a convocação nas redes sociais, o ato será pacífico e aberto à população, com o lema “o luto virou luta”.
A mobilização acontece em um momento de comoção e questionamentos públicos sobre a segurança do atendimento infantil, principalmente em casos que envolvem medicação de risco. A expectativa é que o protesto reúna moradores, representantes da comunidade e setores da saúde — todos em busca de justiça, transparência e prevenção para que tragédias como essa não se repitam.
O que se sabe até agora
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A criança foi atendida no Hospital Santa Júlia com sintomas de laringite.
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A medicação aplicada incluía adrenalina intravenosa — via considerada inadequada para o quadro segundo relatos da família.
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Após o primeiro disparo do quadro — com piora súbita — a equipe de saúde demorou a agir, segundo investigação preliminar.
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O menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e morreu na madrugada de domingo.
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A médica e a técnica de enfermagem foram afastadas preventivamente.
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Inquérito da Polícia Civil investiga o caso como homicídio doloso qualificado; CREMAM instaurou também processo ético.
Por que o caso mobiliza
O que era para ser um atendimento rotineiro a um quadro respiratório banal — tosse seca, possível laringite — terminou em tragédia e em graves questionamentos sobre condutas médicas, segurança no atendimento infantil e responsabilidade institucional. A família transformou o luto em clamor por respostas, levantando um debate urgente sobre a supervisão de hospitais privados, a formação técnica de quem atende crianças e a fiscalização de eventos adversos em saúde. A grande adesão esperada à manifestação de hoje revela que a comunidade de Manaus está atenta — e exige mudanças.
