Brasil

1º de Maio leva trabalhadores às ruas no Brasil contra escala 6×1 e por ampliação de direitos trabalhistas

Atos em diversas capitais reuniram trabalhadores em defesa da redução da jornada, combate à precarização e proteção social.


Manifestação por direitos em Salvador, na Bahia – Foto: CUT-BA

As manifestações do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, realizadas nesta sexta-feira (1º), mobilizaram milhares de pessoas em diversas capitais brasileiras, com destaque para a reivindicação pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal sem corte de salários.

Em Brasília (DF), cerca de 5 mil participantes se concentraram no Eixão Sul, em ato organizado por centrais sindicais e movimentos sociais. Durante a mobilização, houve um princípio de confusão após a provocação de um grupo com um totem do ex-presidente Jair Bolsonaro, situação rapidamente controlada pela Polícia Militar, sem registro de feridos ou detenções.

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As manifestações ocorreram em todas as regiões do país e tiveram como pauta central a aprovação do projeto de lei que prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além da garantia de dois dias de descanso. A proposta tramita em regime de urgência no Congresso Nacional.

Na Região Norte, os atos reuniram aproximadamente 3 mil pessoas em Belém (PA), na Praça da República, e cerca de 900 participantes em Manaus (AM), onde trabalhadores destacaram os impactos da jornada exaustiva na saúde física e mental, além do aumento do custo de vida.

Centro de Manaus – Foto: Sammy Lima

No Nordeste, cerca de 1,5 mil pessoas participaram do ato em Teresina (PI), na Praça da Liberdade, com foco no debate sobre a pejotização e a perda de direitos trabalhistas. Já em Salvador (BA), a mobilização reuniu aproximadamente 4 mil manifestantes no Jardim de Alah, onde também foram discutidas pautas como regulamentação do trabalho por aplicativos e fortalecimento das negociações coletivas.

Além das reivindicações econômicas, o combate ao feminicídio esteve presente em diversas capitais, com cobranças por políticas públicas de proteção às mulheres e ações educativas para enfrentar a violência de gênero.

Debate no Congresso

O fim da escala 6×1 avança por diferentes caminhos no Legislativo. O projeto de lei enviado pelo governo federal busca uma solução mais imediata, propondo a redução da jornada semanal para 40 horas. Paralelamente, propostas de emenda à Constituição defendem mudanças mais amplas, como jornadas de 36 horas ou a adoção da semana de quatro dias de trabalho, mas enfrentam tramitação mais complexa.

Outro caminho

A pauta da redução da jornada de trabalho ganha força em meio às transformações no mercado e à crescente pressão por melhor qualidade de vida. No entanto, trata-se de um tema sensível que impacta diretamente a dinâmica econômica. Em muitos casos, soluções negociadas entre empregadores e trabalhadores podem evitar conflitos e permitir adaptações mais equilibradas por setor — algo que já se mostrou necessário em debates anteriores, como o das trabalhadoras domésticas, onde mudanças legais exigiram ajustes práticos para não gerar efeitos indesejados no emprego.