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Venezuela x Guiana: Compare população, PIB, território e poder militar dos dois países

A Venezuela está reivindicando 70% do território atual da Guiana. A disputa, que foi fomentada pela descoberta de petróleo offshore na região reclamada, ganhou novos capítulos recentemente e acende o alerta para uma guerra iminente no "quintal" do Brasil.


A disputa territorial entre Venezuela e Guiana contrasta dois países completamente opostos do ponto de vista militar. Caso o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, decida invadir a região de Essequibo, seria necessário o uso de força — e o país pode ser considerado uma potência regional se comparado ao vizinho.

O interesse por Essequibo, região de Guiana, tem mais de dois séculos de disputas e tentativas frustradas de acordos diplomáticos, mas tem sido usado nos últimos meses como estratégia para unir o país vizinho em prol de um único objetivo.

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Desfile das forças armadas venezuelanas – Foto: reprodução

O governo de Nicolás Maduro, da Venezuela, tem mesclado mensagens em prol de uma solução negociada com mensagens de tom bélico. Bharrat Jagdeo, vice-presidente da Guiana, afirmou em entrevista que está se preparando para o pior e que o governo está trabalhando com parceiros para reforçar a “cooperação de defesa”.

Sua preocupação se deve à região de Essequibo fazer fronteira com Roraima, através de uma ponte que liga a cidade brasileira de Bonfim à guianesa de Lethem. Muitos brasileiros visitam, trabalham e mantêm negócios do outro lado da fronteira. O Ministério da Defesa acompanha a situação e aumentou a presença de militares nas fronteiras com os dois países.

Poderio militar da Venezuela

Apoio da Rússia e da China. Desde 1998, quando Hugo Chávez assumiu o poder, o país passou a receber equipamentos militares russos e chineses. Entre eles, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo, estão: caças avançados, sistema antiaéreo, tanques, blindados, obuseiros, rifles de assalto, radares, aviões de treinamento, entre outros itens

O exército venezuelano tem entre 125 mil e 150 mil militares na ativa sob o comando do Ditador Nicolás Maduro – Foto: Reuters/EFE 

O exército venezuelano tem entre 125 mil e 150 mil militares na ativa, de acordo com a CIA. Possui seis quartéis-generais e aproximadamente 21 brigadas de combate espalhadas pelo país. Essas brigadas são uma mistura de forças blindadas, de artilharia, de infantaria, de polícia militar, de cavalaria motorizada e de operações especiais.

A Marinha, ainda segundo a CIA, tem duas fragatas e aproximadamente quatro navios de patrulha e, também dois submarinos de ataque, embora não sejam considerados operacionais. A Força Aérea tem menos de 50 caças, que foram fabricados nos EUA e na Rússia.

O militarismo é presente na política venezuelana. A CIA reporta que, dos 32 ministros no poder do país no início deste ano, 14 eram militares.

Poderio militar da República da Guiana

Ameaçada pela Venezuela, a Guiana assinou um acordo militar com os Estados Unidos, que se comprometem em colaborar contra as ameaças e desafios regionais, além de participarão de programas de educação militar, compromissos de capacitação, treinamento bilateral e intercâmbio de conhecimentos.

Há uma tensão crescente na relação entre a Venezuela e a Guiana na disputa pelo petróleo. As descobertas offshore nos últimos anos deram à Guiana  o potencial de se tornar um dos grandes produtores da América Latina. A americana ExxonMobil está em um consórcio com a Hess e a chinesa CNOOC  para  produzir petróleo no bloco offshore de Stabroek da Guiana, parte do qual está localizado em águas reivindicadas pela Venezuela.

As recentes reivindicações da venezuelanas sobre os mares e fundos marinhos adjacentes à costa oeste do rio Essequibo, que pertence à Guiana, uniu o país e deixou as autoridades em alerta.

O Chefe do Estado-Maior da Força de Defesa da Guiana, Brigadeiro Godfrey Bess e o Almirante Craig Faller assinando acordo com a Guiana  2020. O país ja sofria ameaças da Venezuela – Foto: reprodução

O acordo assinado com os Estados Unidos dá mais tranquilidade à Guiana quanto à ameaça de perder o seu território rico em petróleo. Ele foi assinado pelo Chefe do Estado-Maior da Força de Defesa da Guiana, Brigadeiro Godfrey Bess e o Comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, Almirante Craig Faller (foto), que está em visita de três dias à Guiana. O acordo também abrirá o caminho para a troca de bens e serviços de igual valor para apoiar a futura cooperação bilateral de defesa. Durante a visita do secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, em 2020, Guiana e os Estados Unidos assinaram o acordo Shiprider, que permite a cooperação marítima entre os dois países.

A Guiana está na 152ª posição de 166 países na lista de maiores investimentos na área militar, ainda de acordo da CIA. Em 2022, o investimento representou apenas 0,6% do PIB guianense.

A CIA aponta que são apenas 3 mil militares na ativa no Exército da Guiana.

Os equipamentos das Forças Armadas são limitados e de segunda mão, vindos de fornecedores como Brasil, China, Reino Unido e EUA, segundo a CIA.

As forças de combate contam com uma embarcação de patrulha offshore e alguns barcos de patrulha, de acordo com a agência americana de inteligência.

A Força Área, porém, não tem nenhuma aeronave de combate, segundo a CIA.

População e território

Essequibo, localizada à esquerda da margem do rio que leva o mesmo nome, conta com 159.500 km² de área, cerca de 70% do território atual da Guiana, em grande parte uma região coberta por floresta. No total, o território da Guiana soma 214.969 km². Enquanto isso, a Venezuela tem um território de 916.445 km² atualmente.

Já sobre população, são 794 mil habitantes na Guiana, sendo que Essequibo concentra 120 mil desses moradores, representando 31% dos guianenses. A Venezuela, por sua vez, conta com 26,5 milhões de habitantes. Os dados são do Fundo Monetário Internacional (FMI).

As propostas de Maduro incluem a criação do Estado de Guiana Essequiba e um plano para conceder cidadania venezuelana aos seus habitantes.

PIB

A Venezuela, de acordo com o FMI, teve um crescimento de 15% do PIB, e chegou a US$ 196 bi em 2022 sem descontar a inflação. A previsão para 2023 é que suba para US$ 211 bilhões.

No entanto, quando se compara o crescimento em termos reais, a economia da Venezuela subiu 8% e deve crescer 4% neste ano.

Apesar de ser menor, a economia da Guiana tem experimentado um “boom”. De acordo com o FMI, o PIB da Guiana atingiu US$ 33,8 bi, um crescimento de mais de 70% sem descontar a inflação, e a previsão para 2023 é que a economia atinja um valor de US$ 48,51 bi.

Em termos reais, a Guiana teve a economia que mais cresceu no mundo em 2022, com uma alta de 62% em relação ao ano anterior, e deve passar de 38% neste ano.

O “boom”, que triplicou o tamanho da economia da Guiana desde 2019, tem a ver com a extração de petróleo em Essequibo — uma das maiores reservas do mundo, estimada em 11 bilhões de barris. Atualmente, a gigante americana ExxonMobil é a maior petrolífera em atividade no país.

“No futuro, a produção de petróleo continuará crescendo rapidamente, à medida que quatro novos campos entrarão em operação até o final de 2028. O crescimento do PIB não relacionado diretamente ao petróleo também é esperado, à medida que o governo continua a investir em capital humano, custos menores de energia e infraestrutura, inclusive para adaptação às alterações climáticas”, escreveu o FMI.

Neste ano, a projeção de crescimento guianense, levando em consideração as atuais fronteiras geográficas, é uma média de 20% ao ano até 2028.

Com agências