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Venezuela fecha acordo bilionário com os EUA para exportação de petróleo após prisão de Maduro

Entendimento prevê envio de até 50 milhões de barris aos americanos, redireciona exportações da China e aprofunda influência do governo Trump no setor energético venezuelano.


Poço de petróleo operado pela estatal venezuelana PDVSA, na região petrolífera do Orinoco, no estado de Monagas – Foto: Carlos Garcia Rawlins/REUTERS

A Venezuela e os Estados Unidos chegaram a um acordo para a exportação de até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano ao mercado americano, em uma negociação avaliada em cerca de US$ 2 bilhões. O anúncio foi feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e ocorre em meio a uma profunda crise política no país sul-americano, agravada pela prisão de Nicolás Maduro no último fim de semana.

Segundo Trump, o petróleo será vendido a preço de mercado e enviado diretamente para portos americanos. O presidente afirmou ainda que os recursos financeiros da operação ficarão sob controle do governo dos Estados Unidos, com a promessa de serem usados em benefício das populações venezuelana e americana.

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O acordo marca uma mudança significativa no fluxo das exportações venezuelanas, que nos últimos anos tinham a China como principal destino, especialmente após as sanções impostas por Washington ao setor energético do país. Com o novo entendimento, parte dos carregamentos originalmente destinados ao mercado asiático deve ser redirecionada para refinarias dos EUA, principalmente na região do Golfo do México.

A negociação ocorre um dia após a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela. Aliada histórica de Maduro, ela também é alvo de sanções americanas. Trump tem pressionado o novo governo a abrir completamente a indústria petrolífera venezuelana às empresas dos EUA, sob a ameaça de novas medidas de força.

Delcy Rodríguez, (presidente interina da Venezuela) dará aos EUA e às empresas privadas “acesso total” à indústria petrolífera Venezuelana – Foto: Reprodução

Especialistas ouvidos por veículos internacionais apontam que, apesar do impacto político do anúncio, a retomada plena da produção venezuelana é um processo lento e caro. Estimativas indicam que seriam necessários dezenas de bilhões de dólares e até uma década para recuperar os níveis históricos de produção do país, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas enfrenta queda contínua desde o início dos anos 2000.

Atualmente, a Chevron é a única empresa americana autorizada a operar e exportar petróleo venezuelano de forma contínua. A companhia vinha enviando entre 100 mil e 150 mil barris por dia aos Estados Unidos. Outras petroleiras internacionais acompanham as negociações com cautela, afirmando que novos investimentos dependerão de estabilidade política, segurança jurídica e clareza sobre as sanções.

Autoridades americanas afirmam que o aumento do fluxo de petróleo pesado venezuelano pode beneficiar as refinarias dos EUA, ajudar a conter os preços dos combustíveis e evitar novos cortes na produção venezuelana, que já enfrenta limitações por falta de capacidade de armazenamento.

Apesar do otimismo demonstrado pelo governo Trump, analistas do setor energético destacam que os efeitos do acordo sobre o mercado global devem ser limitados no curto prazo, e que os desdobramentos políticos na Venezuela seguirão sendo um fator decisivo para o futuro da parceria.