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Veja vídeo: Portugal vive pior temporada de incêndios florestais em 15 anos

Falta de aviões, recursos insuficientes e clima extremo agravam crise que já destruiu mais de 60 mil hectares no país.


Portugal enfrenta uma das piores temporadas de incêndios florestais das últimas décadas. Desde o início de 2025, cerca de 60 mil hectares já foram consumidos pelas chamas — área equivalente a cinco vezes o tamanho da cidade de Lisboa. Os incêndios, concentrados sobretudo nas regiões Centro e Norte, estão desafiando a capacidade de resposta do país, com mais de 3.000 bombeiros atuando e recursos aéreos limitados.

Na cidade de Trancoso, no distrito da Guarda, a situação é crítica. Famílias foram evacuadas às pressas, perderam animais e tiveram de abandonar suas casas. Igrejas e centros comunitários têm acolhido os desabrigados, enquanto voluntários auxiliam na liberação de estradas e na distribuição de suprimentos.

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“Estávamos nos terrenos mais próximo da serra quando nos ligam a dizer que o fogo vinha para aqui, por isso viemos todos cá, para ver se podíamos combatê-lo. Porque se ardem estes montes todos de lenha, (as chamas) poderiam passar para a parte de baixo da aldeia, e isso seria um inferno”, disse um habitante de uma das aldeias do município de Trancoso.

Imagem: Bruno Fonseca/AP

Devido à ameaça das chamas, em Trancoso, a aldeia de Terrenho teve de ser evacuada.

Isto numa altura em que continuam em curso outras duas ocorrências significativas, em Vila Real e Tabuaço.

Aviões fora de serviço e críticas ao governo

O combate aos incêndios é dificultado por ventos fortes, estradas bloqueadas e pela paralisação dos três aviões Canadair do governo português, atualmente fora de operação por problemas técnicos. Para reforçar a resposta aérea, Portugal acionou um acordo com Marrocos, que enviou dois aviões para apoio emergencial.

Apesar da escalada da crise, o governo ainda não solicitou ajuda à União Europeia, decisão que gerou críticas de especialistas e abriu debate político no país.

População tenta combater incêndio em Aldeia Velha, município de Trancoso – Foto: Miguel Pereira da Silva/LUSA

Origem criminosa e impacto ambiental

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) confirmou que, apenas nos últimos dias, mais de 15 mil hectares foram destruídos. Desde janeiro, mais de 5.700 focos de incêndio foram registrados — metade em áreas de mato, 40% em florestas e 10% em zonas agrícolas.

A suspeita de fogo posto preocupa: 26 pessoas já foram detidas este ano, incluindo um bombeiro. Em 2023, 84% da área queimada teve origem criminosa.

Clima extremo e falhas na prevenção

Mesmo com 354 milhões de euros investidos em prevenção em 2024, como limpeza de matas e campanhas de conscientização, os incêndios seguem avançando. Especialistas apontam uma combinação de fatores: verões mais secos e longos, abandono de áreas rurais, acúmulo de combustível natural e os efeitos do aquecimento global, que tornam os incêndios mais intensos e difíceis de conter.

Organizações ambientais, como a Quercus e a Associação Natureza Portugal, pedem políticas estruturais mais rigorosas e maior envolvimento das comunidades na gestão florestal.

Alerta à população

As autoridades reforçam o apelo para que a população evite qualquer ação que possa provocar faíscas, especialmente em dias de risco máximo de incêndio. Em caso de emergência, os números de contato são 112 ou 117.

Mesmo longe das áreas urbanas, os incêndios têm impactos generalizados: afetam a biodiversidade, a economia local e a segurança de milhares de pessoas em todo o país.

A onda de calor que afeta a Europa, com temperaturas superiores a 40ºC em quase todo o sul do continente, multiplicou os incêndios florestais e causou a morte de duas pessoas, sendo uma na Espanha e outra na França. O fenômeno também tem causado cenas incomuns, incluindo um período de seca no Reino Unido.

Com RFI