
Mulher acende vela em homenagem às vítimas do ataque de 7 de outubro de 2023, durante cerimônia realizada no local do festival Nova, em Reim, sul de Israel, no segundo aniversário do massacre – Foto: Itay Cohen/Reuters
‘Só quero que essa dor acabe’: sobrevivente do 7 de outubro se suicida após perder companheira e melhor amigo.
O suicídio de Roei Shalev, um dos sobreviventes do ataque ao festival de música Nova, em 7 de outubro de 2023, provocou forte comoção em Israel neste sábado (11). O corpo de Shalev foi encontrado carbonizado dentro de um carro incendiado ao norte de Tel Aviv, na noite de sexta-feira (10), poucas horas após o início de um novo cessar-fogo entre Israel e o Hamas.
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Durante o ataque, realizado por combatentes do Hamas que cruzaram a fronteira a partir da Faixa de Gaza, Shalev presenciou o assassinato da companheira, Mapal Adam, e do melhor amigo, Hili Solomon. Os três tentaram se esconder sob carros no local do festival, mas apenas ele sobreviveu, ferido. Duas semanas após o massacre, a mãe de Roei também cometeu suicídio, abalada pela tragédia familiar.
Pouco antes de sua morte, Roei publicou em seu perfil no Instagram: “Não aguento mais essa dor, estou queimando por dentro […] Só quero que essa dor acabe.”
Trauma coletivo
O ataque de 7 de outubro de 2023, considerado o mais mortal da história de Israel, deixou 1.219 mortos, a maioria civis. A tragédia pessoal de Roei se soma ao trauma coletivo vivenciado pelo país desde então.
A cerimônia de dois anos do massacre foi realizada em Reim, no sul de Israel, no último dia 7. Em meio às homenagens, a notícia da morte de Shalev intensificou o sentimento de luto e impotência entre sobreviventes e familiares.
Pressão por respostas
Lideranças da oposição usaram as redes sociais para lamentar a morte de Shalev e criticar a ausência de políticas públicas voltadas ao cuidado psicológico das vítimas. A maioria dos membros da coalizão governista manteve silêncio devido ao shabat.
“Está na hora de o Estado de Israel tratar quem sofre de transtornos mentais como heróis — e não como estatísticas”, escreveu Avigdor Lieberman, líder do partido Israel Beiteinu.
Já Yaïr Golan, do partido Os Democratas, afirmou: “Roei não suportou a dor, mas outros ainda estão aqui, lutando para viver. Precisamos oferecer toda a ajuda possível para que não se sintam sozinhos.”
Debate sobre assistência psicológica
A morte de Shalev reacendeu o debate sobre o suporte oferecido pelo Estado aos sobreviventes do ataque. Organizações civis e especialistas alertam para o aumento dos casos de depressão e estresse pós-traumático entre civis que vivenciaram o massacre ou perderam familiares.
Mesmo em meio a avanços diplomáticos e períodos de cessar-fogo, as feridas emocionais abertas pelo conflito seguem exigindo atenção urgente. O caso de Roei Shalev lança luz sobre uma dor silenciosa que persiste entre os sobreviventes — e sobre a necessidade de medidas concretas para evitar novas tragédias.
Com agências Reuters e AFP
