
Primeira loja física da Shein no BHV, centro comercial no coração da capital francesa – Foto: Aurelien Morissard/AP
A gigante chinesa da moda rápida, Shein, inaugurou nesta quarta-feira (5) sua primeira loja física permanente no mundo, em plena Paris, no tradicional Bazar de l’Hôtel de Ville (BHV). A abertura ocorre em meio a protestos e forte presença policial, após o início de uma investigação judicial na França por suposta venda de bonecas sexuais com aparência infantil e outras irregularidades comerciais.
A controvérsia tomou conta das capas dos principais jornais franceses. O Le Figaro destacou a “impotência da França diante do tsunami chinês”, criticando a dificuldade de Paris e Bruxelas em regulamentar o comércio online. O periódico lembrou ainda que a Shein acumula multas que somam €191 milhões (cerca de R$ 1,03 bilhão) por infrações administrativas no país.
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O Ministério Público de Paris conduz uma investigação contra a empresa por difusão de mensagens violentas, pornográficas e contrárias à dignidade de menores. A Shein deverá prestar esclarecimentos a uma comissão da Assembleia Nacional Francesa, enquanto o BHV defende a parceria como tentativa de revitalizar o comércio local.

Policiais de choque fazem a segurança durante protesto em frente à nova loja física da Shein, ao lado do BHV, em Paris, em 5 de novembro de 2025 – Foto: Dimitar Dilkoff/AFP
Reações e boicotes
A repercussão foi imediata. Doze marcas francesas anunciaram o rompimento de contratos com o BHV em protesto contra a presença da Shein. As Galeries Lafayette, que também planejavam receber uma unidade da marca, desistiram do acordo.
O La Croix observou que a chegada da Shein reflete o esforço de lojas tradicionais em “se reinventar” diante do avanço do comércio eletrônico e dos preços extremamente baixos da fast fashion chinesa. Contudo, o jornal ressaltou o impacto ambiental e social da empresa, cuja cadeia produtiva é frequentemente associada a condições precárias de trabalho e práticas não sustentáveis.
Contexto cultural e global

Imagem da boneca pedopornográfica comercializada pela Shein – Foto: Reprodução de vídeo
A polêmica em torno da Shein expõe não apenas questões legais, mas também diferenças culturais e éticas. Em países asiáticos, o controle sobre representações de sexualidade é muitas vezes menos restritivo que nas legislações europeias, o que pode levar à produção e comercialização de itens considerados ofensivos ou ilegais no Ocidente.
Essa disparidade cultural evidencia como valores morais, limites éticos e percepções sobre infância e sexualidade variam amplamente entre sociedades. No entanto, quando produtos cruzam fronteiras digitais, essas fronteiras culturais se tornam zonas de conflito, exigindo debates globais sobre responsabilidade corporativa, proteção de menores e ética no consumo.
