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Porta-aviões chinês cruza o Estreito de Taiwan. Imprensa francesa cogita conflito entre China e EUA

Conflitos armados voltaram a ganhar as manchetes das revistas francesas nesta semana. Além do confronto na Ucrânia, uma guerra entre China e Estados Unidos é considerada provável por especialistas norte-americanos. O motivo seria a possível invasão de Taiwan pelos chineses.


A revista francesa Le Point traz como reportagem de capa uma análise dos possíveis cenários, se a relação entre a China e os Estados Unidos chegue a um ponto extremo de tensão. Uma análise realizada pelo Centro de Estratégias e Estudos Internacionais (CSIS) aponta que, caso a China tente invadir Taiwan, os norte-americanos devem intervir para manter a independência da ilha. Com isso, os pesquisadores vão além: eles indicam que a perspectiva de um conflito aberto entre as duas superpotências mundiais é provável e deve acontecer entre os dias atuais e 2027.

Os pesquisadores apontam ainda que em 22 dos 24 cenários de guerra avaliados como possíveis, os Estados Unidos, numa coalizão com Taiwan e com o Japão, sairiam vencedores, resultado que justificaria, em suas opiniões, o motivo pelo qual a China ainda estaria mantendo uma posição pacífica.

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“Uma flotilha de três navios do Exército de Libertação do Povo – PLA, liderada pelo porta-aviões Shandong, passou pelo Estreito de Taiwan por volta do meio-dia de sábado (27)”, afirmou o ministério da Defesa taiwanês, em um comunicado.

Foto: reprodução

A presença de navios de guerra chineses no Estreito de Taiwan é constantemente monitorada por Taipei. Porém, a do porta-aviões Shandong é incomum.

As forças armadas de Taiwan “monitoram a situação e designaram aeronaves (patrulha aérea civil), navios da marinha e sistemas de mísseis terrestres para responder a essas atividades”, reagiu o ministério da Defesa de Taiwan.

Desde o fim da Guerra Civil Chinesa, em 1949, a China vê Taiwan como uma província que ainda não conseguiu reunificar com o resto de seu território. Taiwan reivindica a sua independência da China, que ameaça uma reintegração à força.

Contexto de tensão

Para Steve Tsang, diretor do SOAS China Institute da Universidade de Londres, a passagem do porta-aviões Shandong no Estreito de Taiwan é “muito incomum”. “Mas os chineses têm tentado demonstrar seu poderio militar em torno de Taiwan nos últimos seis meses ou mais”, destaca. Assim, o aparecimento do porta-aviões Shandong no estreito faz parte deste “contexto geral”, acrescentou o analista.

Foto: reprodução

A última vez que autoridades taiwanesas relataram a presença do porta-aviões chinês no Estreito de Taiwan havia sido em março de 2022.

As relações entre Pequim e Taipei se deterioraram nos últimos anos, quando a China intensificou as incursões militares ao redor da ilha.

A demonstração de força de Pequim ocorre pouco mais de um mês após manobras militares ao redor da ilha, em abril, que visavam cercar Taiwan por três dias. Durante esses exercícios, Pequim simulou bombardeios direcionados contra a ilha autônoma e até um cerco a Taiwan. No último dia de operações, as autoridades taiwanesas detectaram 12 navios de guerra chineses e 91 aviões.

Uma análise realizada pelo Centro de Estratégias e Estudos Internacionais (CSIS) aponta que, caso a China tente invadir Taiwan, os norte-americanos devem intervir para manter a independência da ilha. Com isso, os pesquisadores vão além: eles indicam que a perspectiva de um conflito aberto entre as duas superpotências mundiais é provável e deve acontecer entre os dias atuais e 2027.

Com informações da revista Le Point e RFI