Guerra

Oriente Médio

Netanyahu quer manter controle de Gaza mesmo após fim da ofensiva israelense

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou neste sábado (20) sua política na Faixa de Gaza. Segundo ele, Israel deve manter o controle da segurança no enclave, mesmo após o fim da ofensiva.


A questão voltou à tona após uma conversa telefônica entre o premiê israelense e o presidente americano, Joe Biden, na sexta-feira (19). Neste sábado, o escritório do governo de Israel indicou que, na ocasião, Netanyahu “reiterou sua política”. O objetivo é, “uma vez o Hamas destruído (…), garantir que Gaza não constitua mais uma ameça a Israel”.

Após a conversa entre os dois líderes, Biden expressou seu otimismo sobre a criação de um Estado palestino no futuro, embora “reconheça que será necessário muito trabalho para que esse objetivo seja atingido”, indicou o porta-voz da Casa Branca, John Kirby. No entanto, para Netanyahu, a exigência de segurança de Israel “vai contra a demanda de soberania palestina”.

Continua depois da Publicidade

Na véspera da conversa com Biden, o premiê israelense já havia considerado que “o controle da totalidade do território a oeste do rio Jordão (…) é uma condição necessária”. As declarações de Netanyahu afastam ainda mais a perspectiva da criação e do reconhecimento de um Estado palestino.

A guerra entre Israel e o Hamas, que teve início em 7 de outubro de 2023, deixou cerca de 1.140 mortos do lado israelense e quase 25 mil mortos na Faixa de Gaza. O governo israelense promete “liquidar” o grupo armado palestino e realiza uma sangrenta ofensiva no enclave onde mais de dois milhões de pessoas seguem bloqueadas pelo cerco imposto por Israel.

Intensos combates em Gaza

As Forças Armadas israelenses concentram suas operações no sul de Gaza neste sábado, principalmente nos arredores da cidade de Khan Yunis. Na madrugada, alvos no norte do território também foram visados. “Infraestruturas terroristas” foram destruídas pelas tropas de Israel ao longo de todo o litoral do enclave.

Casas e predios destrúidos por bombardeios israelenses em Jabalia, no norte da Faixa de Gaza – Foto: Anas al-Shareef – 11.out.23/Reuters

Segundo Enrico Vallaperta, especialista em medicina de guerra, que participou recentemente de uma missão pela ONG Médicos Sem Fronteiras na Faixa de Gaza, o território palestino está quase completamente destruído. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a denunciar condições de vida desumanas impostas aos moradores do enclave. Quase 20 mil bebês nasceram no “inferno” de Gaza desde o início da ofensiva israelense, segundo o Unicef.

O conflito também agrava as tensões entre Israel e outros grupos armados no Oriente Médio apoiados pelo Irã, como o Hezbollah libanês ou os houthis do Iêmen. Neste sábado, os Guardiões da Revolução iranianos anunciaram a morte de “quatro conselheiros militares” em um “ataque aéreo executado por aviões de combate” israelenses que destruiu um prédio residencial em Damasco.

A agência iraniana Mehr afirmou que na operação morreram o chefe de inteligência para a Síria dos Guardiões, seu adjunto “e outros dois membros desta força”. O exército israelense não quis comentar as informações.

Na sexta-feira (19), os Estados Unidos voltaram a atacar posições dos rebeldes houthis no Iêmen, depois de os insurgentes terem reivindicado a autoria de um ataque contra um petroleiro americano no Golfo de Áden.

Na fronteira israelense-libanesa, o exército israelense bombardeou posições do Hezbollah no sul do Líbano na sexta-feira, depois que o movimento islamista atacou Israel.

Ao recusar as propostas de Biden, Netanyahu estaria apostando na vitória de Trump nas eleições de 2024?

Com certeza, mas é uma aposta arriscada. Afinal, as relações entre Binyamin Netanyahu e Donald Trump, cujo temperamento é extremamente volátil, são agora muito frias. O ex-presidente dos EUA sente que Netanyahu o traiu ao reconhecer a vitória eleitoral de Biden em novembro de 2020.

A seguir, recordemos que os 14,5 mil milhões de dólares em ajuda de emergência adicional prometidos a Israel por Joe Biden ainda não foram aprovados pelo Senado porque os republicanos opõem-se a eles por razões puramente políticas, que nada têm a ver com o conflito israel-palestina, mas sim tudo a ver com a polarização da política dos EUA.

Qualquer proposta Democrata é um pretexto para a obstrução republicana sistemática, mesmo que isso signifique colocar o seu interesse político imediato à frente da aliança estratégica dos EUA com Israel. Por outro lado, se Trump chegar ao poder, os Democratas provavelmente adotarão uma estratégia idêntica de obstrução sistemática.