Guerra

Oriente Médio

Netanyahu pede a Exército israelense “plano” para retirar civis de Rafah e destruir Hamas

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu ao Exército que apresente um plano de retirada de civis de Rafah e de "destruição" do movimento Hamas na cidade, situada no sul da Faixa de Gaza.


O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que “É impossível atingir o objetivo da guerra sem eliminar o Hamas e deixando quatro batalhões do Hamas em Rafah”. Para isso, também é necessário que “os civis deixem as zonas de combate”, afirmou Netanyahu, em um comunicado.

Prédio destruído em uma rua de Rafah durante bombardeio das forças israelenses
Prédio destruído em uma rua de Rafah durante bombardeio das forças israelenses – Foto: Mohammed Abed/AFP
O Escritório do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas denunciou, em comunicado, “que o objetivo desse plano é expulsar os palestinos de seu território.” Segundo ele, o governo israelense e os Estados Unidos serão responsabilizados pelas “consequências dessa iniciativa”.

Cerca de 1,3 milhão de palestinos estão abrigados na cidade, na fronteira com o Egito. O número corresponde a mais da metade da população da Faixa de Gaza e uma ofensiva militar poderia ser catastrófica.

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Neste contexto, Netanyahu “ordenou às forças israelenses e aos responsáveis de segurança” que entreguem um “plano combinado para evacuar a população e destruir os batalhões do Hamas”, acrescenta o comunicado. Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, alertaram na quinta-feira (8) que uma operação militar “sem planejamento e sem reflexão” em Rafah poderia causar um “desastre” humanitário.

No início da guerra, há quatro meses, as forças israelenses concentraram suas operações na Cidade de Gaza, no norte da Faixa, e depois avançaram em direção a Khan Yunis, no sul.

Mas, na quarta-feira (7), Netanyahu ordenou a preparação de uma ofensiva em Rafah, cuja maioria da população é de palestinos que fugiram de outras regiões do enclave devido às operações israelenses contra o Hamas, que governa Gaza desde 2007.

A guerra começou em 7 de outubro, quando militantes do Hamas mataram mais de 1.160 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 250, em um ataque no sul de Israel.

Nas últimas 24 horas, pelo menos 107 palestinos foram mortos em bombardeios aéreos israelenses no enclave, incluindo em Rafah e Khan Younis, a poucos quilômetros de distância, informou o ministério.

Palestinos nas ruas de Rafah
Palestinos nas ruas de Rafah – Foto: Ibraheem Abu Mustafa/REUTERS

Operação em Rafah seria desastre

Na quinta-feira, no final de sua viagem ao Oriente Médio, o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, pediu a Israel que “proteja” os civis em suas operações na Faixa de Gaza, incluindo em Rafah.

Enquanto Blinken deixou a região de mãos vazias, uma “nova rodada de negociações”, patrocinada pelo Egito e pelo Catar com a participação do Hamas, começou na quinta-feira no Cairo para garantir uma nova trégua, bem como uma troca de prisioneiros e reféns palestinos, de acordo com uma autoridade egípcia.

Um acordo no final de novembro permitiu uma pausa de uma semana nos combates, a entrega de mais ajuda a Gaza, a libertação de cerca de 100 reféns e cerca de 240 prisioneiros palestinos detidos por Israel. Uma fonte do Hamas falou em negociações “positivas”.

O chefe da ONU, António Guterres, disse estar “alarmado” com uma ofensiva em Rafah que, segundo ele, “agravará exponencialmente o atual pesadelo humanitário, cujas consequências regionais já são incalculáveis”.

“Há uma sensação de pânico” em Rafah porque os palestinos concentrados na cidade “não têm ideia para onde poderiam ir” no caso de uma ofensiva terrestre israelense, disse Philippe Lazzarini, chefe da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA).

Mulher chora em frente ao necrotério de Kahn Younis
Mulher chora em frente ao necrotério de Kahn Younis – Foto: Mohammed Dahman/AP

Forças israelenses invadem hospital de Khan Younis

As Forças Armadas israelenses invadiram, nesta sexta-feira (9), um hospital em Khan Yunis, cidade no sul da Faixa de Gaza sitiada há semanas, anunciou o Crescente Vermelho palestino, que administra o estabelecimento.

“As forças de ocupação [israelenses] tomaram o hospital Al Amal e começaram a revistá-lo”, afirmou a instituição, equivalente à Cruz Vermelha, em comunicado, acrescentando que estão tendo dificuldades na comunicação com suas equipes no interior da unidade hospitalar.

A AFP questionou o Exército israelense sobre esta informação, mas não obteve resposta até o momento. O hospital Al Amal está no fogo cruzado das forças israelenses e dos combatentes do movimento palestino Hamas, no poder em Gaza desde 2007.

Na quinta-feira, o Crescente Vermelho palestino relatou “intensos bombardeios” e “disparos de armas pesadas” nos arredores do centro médico. Há dias a ONG pede mais segurança ao hospital para que os suprimentos continuem chegando, considerando a escassez de oxigênio medicinal, medicamentos e combustível para os geradores de eletricidade.

No início da semana, o Crescente Vermelho afirmou que 8.000 pessoas que se refugiaram em Al Amal e em sua sede foram retiradas destes locais. Cerca de 40 deslocados, 80 pacientes e 100 funcionários permaneceram no estabelecimento médico após a ordem de retirada, informou a organização na segunda-feira.

Embora, teoricamente, devessem ser contemplados com proteção especial, segundo as leis da guerra, os hospitais de Gaza têm sido alvos frequentes de ataques desde o início do conflito, em 7 de outubro.

Na quarta-feira, a ONU afirmou que nenhum hospital deste território palestino está funcionando normalmente. Cerca de um terço deles continuam operacionais, mas com muitos problemas.

Com informações da AFP